terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pergunte ao Zé – VI

P.: Você é um fake?

Zé: Sou alguém que usa um pseudônimo, como Platão, Calígula, Voltaire, George Sand, Lenin, Trotsky, Stalin, Jango, Sarney, Lula, a maior parte dos atores de cinema. E coloquei na lista uma mulher e pelo menos dois gays, para mostrar que não tenho preconceitos.

P.: O que um Macho deve ouvir, ler, comer e beber?

Zé: O que ele bem entender, e ai de quem fizer piadinha.

P.: Alguma vez um Macho procura outro Macho?

Zé: Nunca. Segundo a Primeira Lei da Machística, Macho repele Macho na razão direta de suas machezas, e na razão inversa do quadrado da distância. Isto é, todo Macho que é Macho cerca-se de um campo de macheza que repele os demais Machos, até que todos atinjam prudente distância que possa ser considerada como configuração de equilíbrio. Mas é errado dizer que o Macho repele os Machos adjacentes, pois Macho nunca deixa outro Macho chegar às adjacências. Se deixou, já não passou no Crivo.

P.: Como é que você reconhece um Macho Absoluto?

Zé: Simples. Olho no espelho.

P.: Mas com que direito você se intitula Macho Absoluto?

Zé:.Simplesmente Sou. Se não fosse assim, não seria Absoluto.

P.: Você não acha que é uma questão muito subjetiva para ser avaliada por um pretenso consultor?

Zé:.Seria, se o consultor não fosse o próprio Macho Absoluto. Aliás, Consultor é um eufemismo de marketing. O termo tecnicamente correto é Árbitro da Macheza.

P.: Você admira quem é macho?

Zé:.Não. Não me admiro, pois admirar a si mesmo não é coisa de Macho. E admirar outros machos, então, é o fim da picada..

P.: Quem manda na casa de um machão? Ele ou a mulher?

Zé: De um machão, eu não sei. Na casa de um Macho, é a mulher quem manda. Óbvio. O Macho não precisa mandar em nada, muito menos na própria casa. As coisas acontecem como ele quer, sem que ele mande.

P.: É verdade que macho tem que dar pelo menos uma vez pra ter certeza?

Zé:.Não vá me dizer que você caiu nessa.

P.:Você é a favor das feministas?

Zé:.Sou a favor de todas as mulheres. Por que haveria de discriminar as feministas?

P.: Como alguém consegue ser agraciado com os louros da Macheza.

Zé: Impossível. Macho é agraciado com louras, jamais com louros.

P.: Qual é o político brasileiro mais macho?

Zé:.Até prova em contrário, desconfio da macheza de políticos, de maneira geral. Essas histórias de fazerem corpo a corpo, viverem se abraçando, beijando bebês que nem são netos deles... Não sei não. E não acredito na teoria do Maluf: No Brasil, todo mundo que faz sucesso é corno, gay ou ladrão. Ainda bem que dizem que sou ladrão. Ora, todo mundo sabe que essas coisas não mutuamente excludentes. Vide o caso de certo ex-presidente.

P.: Macho pode usar coisas metrossexuais como brinco, camiseta rosa, tiara?

Zé:.Como o Macho não presta muita atenção no que veste, pode ser que eventualmente vista roupas de qualquer cor, inclusive rosa. Agora, usar brinco é ação afirmativa. E na direção oposta. Eu não usaria, no mínimo, pelo incômodo. Não sei bem o que você chama de tiara, mas se era a espécie de coroa usada pelos reis persas, eles não eram propriamente um paradigma de Macheza.

domingo, 13 de setembro de 2009

Truta salmonada e companhia

(participação de Margarita Probatou)

Entrada: Abacate com kani

100g de kani-kama

1 abacate bem maduro

100g de creme de leite

2 colheres de sopa de maionese

1 colher de sopa de mostarda

1 colher de sopa de ketchup

Açúcar ou adoçante de aspartame, a gosto

Pimenta do reino

Noz moscada

Misturar o creme de leite, a maionese, a mostarda, o ketchup e o açúcar, formando um molho cremoso. Temperar com a pimenta do reino e a noz moscada. Picar o kani-kama em pedacinhos, e misturá-lo. Partir o abacate, retirar o caroço e, usando uma colher de arroz, retirar o meio abacate inteiro da casca. Rechear com o que couber da mistura do kani, e usar o restante para suporte o meio abacate na posição.

Prato principal: Truta salmonada com pasta de cebola

1 truta salmonada, de bom tamanho

2 cebolas

6 dentes de alho

Fondor

1 maço de manjericão

Azeite do bom

Pimenta do reino

Bater no liquidificador a cebola, o alho e o azeite, com o Fondor, até.transformar em pasta. Juntar o manjericão e bater grosseiramente. Besuntar a truta com a pasta, polvilhar com a pimenta do reino e levar ao forno, a 200ºC, até dourar.

Acompanhamento: Risoto com queijo cremoso e castanhas

1 xícara de arroz para risoto

Sal com alho

Azeite

Um punhado de castanhas de caju

2 colheres de sopa de queijo cremoso

Colocar o sal com alho e um pouco de azeite em 2,5 xícaras de água, e colocar para ferver. Juntar o queijo cremoso e as castanhas picadas. Quando estiver fervendo, juntar o arroz. Ferver até ficar al dente e ligeiramente molhado.

Acompanhamento: Abobrinha assada em papelote

Abobrinha

Tomate

Ervas diversas

Sal

Azeite

Picar a abobrinha e o tomate. Temperar com azeite, sal e ervas, a gosto. Colocar em papelotes de papel de alumínio, e assar a 200ºC, por 40 minutos.

Sobremesa e vinhos

Um Chardonnay acompanha muito bem toda a refeição. Um abacaxi bem maduro é uma sobremesa apropriada.

domingo, 6 de setembro de 2009

Pergunte ao Zé – V


P.: Como ganha a vida um Consultor de Macheza?

Zé: Como qualquer consultor: vendendo informação e orientação a quem precisa.

P.: Quem procura um Consultor de Macheza?

Zé: Quem tem dúvidas de qualquer natureza. Não sobre como ser macho, pois aí já não adianta, mas sobre como se comportar à altura. Por exemplo, vê que o operário da foto está precisando de aconselhamento.

P.: Como diferenciar um comportamento de macho de outro que não é de macho?

Zé: Se fosse fácil distinguir Machos de Não-machos, não haveria necessidades de Consultores de Macheza. Para ser Macho stricto sensu, é necessário ser homem e hétero, mas está longe de ser suficiente. Como em toda área tecnicamente consolidada, é preciso comparar os pretensos atributos do candidato a Macho com um Macho Referencial, dotado de Macheza Absoluta. Sobre quem seria este, a modéstia recomenda que eu me abstenha de manifestar. E só os Consultores de Macheza podem comparar machos, pois, como já disse, o fazem em caráter estritamente científico e profissional, como os urologistas.

P.: Zé, quantos Machos são necessários para trocar uma lâmpada?

Zé: Nenhum. Macho não tem medo de escuro.

P.: Tipo Chuck Norris? O escuro é que tem medo do macho?

Zé: Não. Chuck Norris não passa no Crivo. Muito espalhafatoso. Sinal de insegurança.

P.: Propaganda eleitoral é coisa de macho?

Zé: Não. Macho escolhe um candidato, vota nele e não enche o saco dos outros. Pois, se o outro for uma mulher, é falta de cavalheirismo. Se for um homem e for outro macho, pode dar briga, e, macho ou não, com homem o Macho não quer encompridar conversa.

P.: O que o Zé acha do metrossexualismo?

Zé: Conversa atravessada. Fica parecendo que o sujeito nem é macho o suficiente para assumir que é gay.

P.: Peraí, Zé. “Macho o suficiente pra assumir que é gay” soou muito não-macho!

Zé: Simples. Existe a macheza relativa. Por exemplo, um gay assumido é mais macho que um enrustido. Relativamente, é claro; nenhum dos dois no Crivo do Zé. E Macho Absolutamente Absoluto, só o Zé.

P.: O que acha da música Macho Man, do Village People?

Zé: Dançar essa música não é coisa de Macho. Aliás, dançar música nenhuma, como bem demonstrou o personagem de Kevin Kline, em Será que ele é?. O Macho deve ser capaz de ouvir impassivelmente a música mais rebolativa, sem sentir a menor comichão de rebolar também. Mesmo que não chegue a rebolar, se sentiu a menor vontade, já era. Não importa que ninguém tenha visto, e que ninguém mais saiba. Você sabe.

E notem que isso é independente da polêmica sobre se os caras do Village People são gays ou não são. Eles querem parecer gays, tanto que adotaram o nome de um bairro de grande população entendida. Mas dizem as más línguas que, na verdade, não são. Problema deles. No Crivo do Zé, não passam.

P.: O Macho é homofóbico, anti-feminista ou reacionário?

Zé: O Macho dá todo apoio aos movimentos feministas e homossexuais. Quanto mais mulheres independentes e liberadas, melhor, pois há mais oferta. Quanto mais gays, melhor, pois há menos demanda. E o Macho detesta reacionários. Quase todos são enrustidos, mas esse nem é o maior problema deles. É serem reaças, mesmo.

sábado, 1 de agosto de 2009

Xenoetologia política - I

A xenoetologia política estuda gafes, esquisitices, demonstrações de cara de pau e outros comportamentos inusitados habituais na classe política. Valem inusitados de políticos estrangeiros e de seus similares nacionais, sem distinção de ideologia.

Políticos de visão

Mas Bush não foi o primeiro nem o último a inspecionar tropas com binóculos tampados. Esse costume parece ser bastante habitual em políticos americanos e israelenses, a julgar pelas fotos de Clinton, Amir Peretz (ex-ministro da Defesa de Israel) e Ariel Sharon.

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Para cada político, as conseqüências variaram. Bush estava no começo do mandato; a metade do país que era a favor dela achou que era montagem, e a outra metade continuou achando que era um idiota. Clinton e Sharon, mais espertos, deram algum jeito de que o caso deles não fosse muito comentado. Quem se deu pior foi Peretz: a imprensa do país noticiou fartamente, com o detalhe de que ele balançava a cabeça quando os chefes militares falavam, como se estivesse concordando. Israel estava no meio da ofensiva aérea no Líbano, que teve um imenso custo para os libaneses (não que os israelenses se importassem muito) e para a imagem de Israel (não que pudesse piorar muito); mas também trouxe mais perdas para Israel do que o esperado, e não conseguiu o proclamado objetivo de libertar dois soldados israelenses, aprisionados pelo Hezbollah. Resultado: fim de carreira política.

Não é um país sério

Dois detentos na Delegacia da Polinter (Divisão de Capturas da polícia fluminense) de São Gonçalo, RJ, mantinham página no Orkut. Dois policiais são suspeitos de cumplicidade. O álbum de fotos dos detentos mostra a dupla fazendo ginástica e churrasco nas dependências da Polinter. Na página de recados, a irmã de um dos presos pede que ele abra o e-mail e um amigo sugere vem logo, pula o muro. Um policial suspeito de conivência deixou vários recados e em um deles chega a perguntar: como vocês estão se virando sem o irmão aqui?

Pensando bem, nada deve surpreender, depois do caso que saiu no Jornal Nacional, há poucos meses: em ligação de celular interceptada, um chefão do crime organizado se queixava de que lhe tinham batido a carteira, dentro do presídio! Tecnicamente, são inusitados:

1. Poder usar celular dentro do presídio.

2. Andar com dinheiro na carteira dentro do presídio.

3. Ter essa carteira batida lá dentro.

4. O mais inusitado de tudo: não respeitarem nem os chefões do crime organizado.

Juiz do TRT apela a pai-de-santo

Um juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, tido como intermediário no tráfico de influência entre pela Operação Hurricane, da Polícia Federal, teve telefonema interceptado, em que pedia ajuda a um pai-de-santo para receber propinas e prejudicar seus inimigos. Dizia ao pai-de-santo que o presentearia com uma televisão no dia seguinte e, caso conseguisse receber um pró-labore (sic) de 10 mil reais, daria a ele mais R$ 1.000,00. Dizia também que ia mandar os nomes de uns inimigos, inspetor Botelho, para o pai de santo colocá-los bem longe (!!!).

O curioso é que esse juiz planejava entrar na política com a ajuda da Igreja Universal do Reino de Deus, notoriamente crítica de religiões afro-brasileiras.

Esta é uma contribuição do coletor de inusitados Alucard Wolfherz.

domingo, 12 de julho de 2009

Sexo ao redor do mundo - I

Um em cada 25 britânicos cria filho bastardo sem saber

Segundo a BBCBrasil, uma pesquisa da Universidade John Moores, de Liverpool, estimou que um entre cada 25 pais britânicos está criando um filho que não é seu sem saber. A pesquisa foi possível por causa dos 20 mil testes anuais de DNA que vêm sendo realizados na Grã-Bretanha, para determinar a paternidade das crianças.

Após analisar os dados disponíveis, o estudo chegou à conclusão que, em média, 4% dos pais britânicos estão criando filhos que não são seus. Entre as possíveis razões, estariam o aumento da gravidez em adolescentes, a infidelidade e pessoas que têm abertamente mais de um parceiro; ; o próprio aumento dos testes estaria revelando uma realidade pouco conhecida.

O motivo inicial da pesquisa foi que alguns papais ingleses começaram a reclamar que os filhotes não abriam os olhos. Aí os cientistas perceberam que os vizinhos eram orientais...

Mas, é como dizia Shakespeare:

He that ears my land spares my team, and gives me leave to in the crop: if I be his cuckold, he's my drudge: he that comforts my wife is the cherisher of my flesh and blood; he that cherishes my flesh and blood loves my flesh and blood; he that loves my flesh and blood is my friend; ergo, he that kisses my wife is my friend.

Esse trecho de Shakespeare é da comédia All’s well that ends well (Tudo fica bem quando acaba bem). Usa alguns termos arcaicos, e para reproduzir-lhe o sabor, talvez fosse preciso traduzi-lo para um português barroco. Mas arrisco uma tradução aproximada:

Quem semeia minha terra poupa meus animais, e me deixa a colheita; se eu sou corno dele, ele é meu serviçal; aquele que conforta minha mulher gosta de minha carne e meu sangue; aquele que gosta de minha carne e meu sangue ama minha carne e meu sangue; aquele que ama minha carne e meu sangue é meu amigo; portanto, aquele que beija minha mulher é meu amigo.

Quem sabe uma dupla goiana não põe uma musiquinha, e temos aí um Hino do Corno? Nota-se também nessa fala, além da mansidão cornífera, uma certa insinuação para o lado do Ricardão, que é consistente com outra fama dos ingleses... Apesar de pintado por Hollywood como um ladies’ man, o velho Will tinha reputação de ter outras tendências... Não é à toa que os melhores sonetos do Bardo são dedicados a um tal de Mr. W.H.!

Por falar nisso, uma leitora lembra que o rei Ricardo Coração de Leão, o mais famoso dos Ricardos ingleses, tinha fala semelhante. A leitora especula, dada a tradição de macheza bárbara de celtas e saxões, se tais preferências não resultariam da colonização romana.

Talvez. O fato é que a República Romana era bastante homofóbica, e uma acusação de homossexualidade podia arruinar a carreira de um político. Com o Império, as coisas começaram a mudar. Inicialmente, aos poucos. No caso de Júlio César e Otaviano Augusto, por exemplo, esse lado não era assumido; havia maledicências de inimigos políticos sobre os dois, inclusive sobre os dois. Houve grandes escândalos envolvendo alguns imperadores mais degenerados, como Tibério, notório pedófilo, ou Nero, que mandou transformar em mulher um soldado, para se casar com ele. Mas, quando o grande e sábio Adriano reinstituiu os costumes gregos e erigiu por todo o Império estátuas de seu adorado Antínoo, aí liberou geral. Como essa transição romana coincidiu com os tempos da ocupação da Bretanha, é possível que tenha influenciado o modo de ser dos ingleses.

Mas isso não quer dizer que celtas e saxões fossem imunes ao chamado amor entre iguais, apenas por serem bárbaros ferozes, sujos e suarentos, ou pelo menos assim pintados pelos romanos. Afinal, é puro preconceito achar que todo gay é efeminado. Alguns são muito machos, como os Enviados de Asmodeu, e como é fama de certo estado do sul brasileiro. Ricardo Coração de Leão tinha esse apelido exatamente pela coragem e bravura. Aliás, ele é um dos líderes de quem os Enviados sentem mais saudade.

Pensem naquele monte de guerreiros belicosos, há muito tempo longe de casa, com testosterona a mil. Quando conquistavam algum território, havia as mulheres do inimigo para estuprar; mas, e nos intervalos, como é que ficava?

Tanto é assim, que o auge da glória céltica foi a corte do rei Artur, em Camelot. Embora geralmente considerados assunto de lenda, minhas fontes nos Enviados me informam que, segundo a tradição deles, os Cavaleiros da Távola Redonda eram da Companhia. E que o triângulo Artur-Guinevere-Lancelot era fechado em todos os lados. Mais ou menos o que parece propor o personagem de Shakespeare...

Portugueses assam o maior pão com lingüiça do mundo

Meu prezado Manuel Rui Pontes me manda esta contribuição que, segundo ele, não chega a ser propriamente um comportamento sexual inusitado, mas tem alguma relação.

Uma equipe de seis padeiros de Viseu entrou neste domingo no Guinness Book of Records, ao fazer um pão com lingüiça de quase um quilômetro de comprimento e cerca de oito toneladas de peso. A façanha teve momentos emocionantes, pois numa das manhãs os padeiros ficaram sem energia elétrica, e tiveram problemas com o molinete que ajudava a levantar o pão, quando este já estava com 600 metros.

Mas, ao fim e ao cabo, o pão permaneceu inteiro, e a produtividade atingiu 12 e 13 metros de pão por hora. Segundo a fiscal que representava o Guinness, it was very good.

Para mim, a parte mais sexual dessa história é o very good da senhora do Guinness. Posso até visualizar a expressão facial bem britânica. Se essa história for filmada, sugiro Helen Mirren para o papel. Tem tudo a ver com a personagem dela em O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante.

Ainda sobre os costumes sexuais em Portugal, uma leitura pergunta se a tradição do bacalhau tem alguma conotação sexual. Talvez relacionada com uma suposta impopularidade das práticas depilatórias, que também teria a ver com aquela história do casalzinho virgem, lá no interior lusitano. Diz-se que, pela manhã, ao ver a noivinha levantar os braços e espreguiçar, o noivinho exclamou: Ai Jesus! Mais duas!

Sobre bacalhaus e capilosidades, Manuel Rui Pontes comenta o seguinte:

Portugal não difere do resto da Europa na apreciação do faisandé. Onde crês que os franceses se inspiram (talvez literalmente) para os queijos deles?

Quanto a tua historieta, talvez ainda possa passar-se em um algum recanto de Trás-os-Montes ou do Alentejo. Mas cá em Lisboa há muito se adota a moda depilatória axilar, inventada em 1915 pela indústria americana de lâminas de barbear. Mesmo as conas andam a ser desmatadas, por influência brasileira. Não me refiro à Amazônia, é claro, mas aos fatos de banho cavados.


domingo, 5 de julho de 2009

Vacas ferozes e poluentes

Vacas ferozes e poluentes

Vacas e macacos atacam galinhas!

Nas proximidades de Calcutá, na Índia, um criador de galinhas, intrigado com a constante diminuição do número de aves, resolveu montar guarda para apanhar os ladrões. Para grande surpresa, descobriu que uma vaca estava devorando as penosas. A vaca virou sensação local, e, imagino eu, nenhuma represália sofreu, sendo sagrada.

Os veterinários atribuíram o caso a alguma deficiência de minerais na alimentação. Como as vacas urbanas, na Índia, se alimentam de restos de comida (que, diz-se lá, elas aprendem a pedir de porta em porta), é possível que os habitantes locais estivessem sendo pouco generosos com a coitada. O que não seria de surpreender, em vista da pobreza da região.

O caso é parecido com os dos micos da Mata Atlântica, que, segundo me disse um veterinário, atacam galinheiros quando estão com falta de proteínas. Dá para se imaginar que foi assim que os humanos se tornaram carnívoros, e o resto é conseqüência: era preciso caçar, e, portanto, organizar-se em bandos com papéis definidos, fazer ferramentas, planejar, decidir...

Um contato da Grande Fênix me disse que esse é o fundamento teórico do Grande Dragão: a Humanidade evolui através da violência, da caça, da guerra. E conjeturou se, na guerra vigente entre as duas Ordens, eles não estão manipulando geneticamente outros animais para que se tornem carnívoros, especialmente ornitófagos (comedores de aves). Como se sabe, a Grande Fênix é perita em genética, e conjetura-se que o Grande Dragão seja ainda mais avançado.

O que deixa uma outra dúvida: se foi a manipulação genética do Grande Dragão que transformou os humanos em carnívoros, eles já existiam antes da Humanidade?

Luftal para vacas combate efeito estufa

Segundo o cientista Winfried Dochner, da Universidade de Hohenheim, na Alemanha, os arrotos bovinos produzem 4% das emissões de metano da Terra. Ocorre que esse gás é pior que o dióxido de carbono, para produzir o efeito estufa, e o consumo de carne e, conseqüentemente, o rebanho, estão aumentando.

Para combater as indesejáveis emissões, o cientista inventou uma pílula de tamanho apropriado para bovinos: um punho fechado. Apropriadamente, deu-lhe o nome de Bolus. Esse bolo contém micróbios que retardam a digestão, ao mesmo tempo que metabolizam o metano para produzir glicose. Segundo o cientista, isso não tornaria a vaca mais doce, mas aumentaria a produção de leite. Ganhariam, portanto, tanto o fazendeiro quanto o planeta, e mesmo o animal, que teria digestão mais saudável e melhor qualidade de vida, como quem adota um regime de refeições pequenas e freqüentes.

Meu amigo Manuel Rui Pontes, do alto de sua sapiência de engenheiro de sistemas, comentou: Tenho cá comigo que, dado o valor calórico do metano, seria mais útil uma invenção que aproveitasse o poder energético desse gás. Inclusive o que sai do outro lado, que também é muito. Estou a trabalhar no problema. O difícil é conceber um dispositivo que deixe sólidos passarem, mas retenha gases.

domingo, 28 de junho de 2009

Formigas céticas, aranhas ciumentas e ratos sábios

Formigas ferozes versus monges pacifistas

No templo budista de Ang Hock Si, na Malásia, os monges e seus fiéis costumam meditar sob uma figueira sagrada. Entretanto, apareceu uma praga de formigas na figueira, e eles costumam cair sobre os devotos, e as picadas são dolorosas. Os monges são capazes de ignorar a dor por meio de um tipo especial de meditação, mas, segundo diz notícia da BBC Brasil, em consideração aos devotos menos avançados no caminho da luz, os monges estão procurando formas de persuadir as formigas a ir embora. Bem, isto depois de tentarem um aspirador de pó, que não deu certo.

Os monges são proibidos de fazerem mal às formigas, ou encorajar alguém a fazê-lo, mas, dizem que, se alguém aparecer espontaneamente e lidar com elas sem o envolvimento deles, esta terá sido a vontade do universo.

Como se vê, bobos eles não são. Como diria filosoficamente o Zé Mineirim, num caso desses: uai, se alguém dé um jeito nas bichinha, fazê o quê, né, sô?

Aranha macho põe “cinto de castidade” na fêmea

Os machos da aranha-vespa (Argiope bruennichi) já correm riscos demais no amor, como acontece com os colegas de outras espécies aracnídeas. Sendo muito menores do que as fêmeas, costumam ser devorados logo após os finalmentes, fazendo as vezes de sobremesa. Para piorar, as fêmeas são promíscuas, e se houver outro macho disponível por perto, logo traçam esse também, em ambos os sentidos. Naturalmente, isso reduz a chance de cada macho de deixar descendência.

Mas não para o aranho-vespo. Simplesmente, na hora de tirar, ele deixa a pontinha do dito cujo lá dentro. De certa forma, é o simétrico daquela história de só a cabecinha. Com isso, se não conseguir fugir em tempo, pelo menos a descendência está garantida, já que a pontinha funciona como um cinto, ou melhor, uma rolha de castidade: outros machos não conseguirão depois depositar seu esperma. O tampão não atrapalha a postura de ovos, pois a fêmea tem portas separadas para a entrada e a saída. No final das contas, o macho fica meio castrado, mas pelo menos tem a garantia de que será um feliz pai.

Isso é que é medo de ser corno. Deixar um pedaço lá dentro, só para ter certeza de que os filhotes não vão sair com a cara do vizinho!

Ratos sabem da própria ignorância

Só sei que nada sei, disse Sócrates, demonstrada a capacidade dele para o que os cientistas chamam de meta-cognição, e muitos consideram como traço essencial da consciência humana. Bem, talvez não tão essencial; segundo Bertrand Russell, apenas os inteligentes são cheios de dúvidas, enquanto os imbecis são cheios de certezas.

Mas um estudo de Jonathon Crystal e Allison Foote, da Universidade da Geórgia, mostra que os ratos parecem estar no time dos inteligentes. Eles tinham que classificar sons emitidos pelos pesquisadores como “curtos” ou “longos’. Nos acertos, ganhavam uma porção de comida, e nos erros nada ganhavam; e podiam também desistir, em cujo caso ganhavam meia porção. Alguns sons de duração média eram difíceis de classificar e, nesses casos, desistir era uma estratégia mais segura. O estudo mostrou que, com o tempo, os ratos aprendiam sobre a própria capacidade de classificar, e só arriscavam quando sabiam que tinham alta chance de acerto.

Muita gente pode aprender alguma coisa com eles.