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domingo, 21 de novembro de 2010

Pergunte ao Zé – VIII

P.: Zé, o que o Macho acha dos filmes do Stallone?

Zé: São um exemplo de filmes que, normalmente, estarão na lista negra do Macho. Exceto, talvez, filmes como O Juiz ou O Especialista, que são engraçados e onde ele não fica tão pelado. Bem, em O Especialista, até fica bem pelado em uma cena, mas a Sharon Stone fica pelada junto, o que ameniza um tanto.

P.: O que você acha da afirmação do Sr. Madruga de que um homem deve ser feio, forte e formal?

Zé: Para o Macho, todo homem é feio, portanto ser feio não é vantagem nenhuma. Esquisito, para um homem, é achar outro homem bonito, exceto, talvez, um filho ou neto.

Força também não quer dizer nada. O primo Zé Minerim é magrim, amarelim, quase raquítico. Mas compare com um ganhador de Mister Universo para ver quem é mais Macho.

Formal? Bem, o Macho não fica com muitas intimidades, certamente não com outros homens. Mas essa história de "formal" parece coisa de diplomata, e aí já meio que cai para o outro lado.

P.: O que você acha daquelas nadadoras da velha Alemanha Oriental?

Zé: O Crivo do Zé só avalia Macheza. Femeza, tem que ser com o Crivo da Mafalda.

P.: Zé, e o Carlos Zéfiro? É do seu tempo? Você comprava? Lia escondido? Cumequié?

Zé: Eu era crítico. Zéfiro e colegas sempre aguardavam minha crítica com ansiedade, para saber se passavam no Crivo.

P.: Zé, você fornece atestado de Macheza?

Zé: Para começar, não gosto dessa história de fornecer. Qualquer coisa. Eu emito um atestado, mas não é para a macheza do macho, é para a conformidade dos produtos que o Macho consome com os preceitos em relação ao Crivo (uma espécie de kosher, mas sem frescuragem).

Macho não precisa de atestado, pois, só de olhar, todo mundo já sabe que é macho. Aliás, é bom não olhar muito. E o atestado é para os outros, não o próprio Macho, que, em princípio, duvida de tudo e de todos.

P.: Zé, não é espantoso que nem o Chuck Norris não passe no Crivo?

Zé: Como disse antes, é muito espalhafatoso. O Verdadeiro Macho é discreto, e não precisa de presepadas. A Macheza dele é evidente pela simples presença tranqüila.

P.: Então você não acredita mesmo na Macheza do Chuck Norris?

Zé: Claro que não. E vou por um ponto final nessa história, relembrando algumas das piadinhas do Chuck. O apelido já é meio fresquinho, aliás. Se fosse Macho mesmo, ninguém chamava de Chuck, chamava de Mr. Norris, ou talvez Big Charles, para as mais íntimas. Vamos lá:

Quando Chuck faz sexo com um homem, não é porque seja gay, mas porque as mulheres acabaram (clássica desculpa esfarrapada).

Chuck Norris só se masturba para fotos de Chuck Norris (narcisismo não é coisa de Macho, que além disso está sempre bem abastecido e não precisa se masturbar).

Chuck Norris perdeu a virgindade antes do pai dele (mal explicada, essa).

Chuck Norris vendeu a alma ao Diabo em troca da beleza rude e da habilidade em artes marciais. Depois, tomou a alma de volta com um roundhouse kick. O Diabo gostou, ficaram amigos e agora jogam pôquer toda segunda (jogar pôquer com um cara que é amante do Saddam?).

Chuck Norris ressuscitou um bezerro natimorto com uma longa esfregada de barba (roçando barba num bezerro? Por longo tempo? Acabou de entregar).

O principal produto de exportação of Chuck Norris é dor (onde, santa?).

Chuck Norris uma vez derrubou um avião inimigo apontando o dedo e gritando: "Bang!" (vê se macho faz isso!)

Chuck Norris não precisa engolir quando come (perguntem como ele adquiriu essa habilidade).

sábado, 13 de novembro de 2010

Pergunte ao Zé – VII

P.: Zé, o que você acha das guarda-costas do Qaddafi?

Zé: Grande Qaddafi! Até subiu no meu conceito, pois eu achava o jeitinho dele meio suspeito. Ele deve ter lido a série Duna, e gostou da ideía das Oradoras-Peixe. O problema é se, depois que ele morrer, elas virarem Honradas Madres.

Agora, o Macho, mesmo, não precisa de guarda-costas, mas poderia adotar esse costume só para impressionar as massas. Claro que não por ele mesmo, mas pelas massas.

P.: O que acha da idéia do Clodovil de decobrar o cabinete dele com uma cobra? Mais especificamente, uma cobra naja de metal que servirá como base de apoio para sua mesa dele, chamada “Marta”?

Zé: Com o risco de parecer esnobe (porque o Macho pode ser esnobe, mas não pode parecer): Tout ça pour épater les bourgeois.

Ora, vá à merda, Clodovil, com todo o respeito por seu estado falecido. Não por ser gay, mas por ser um reaça FDP, e ainda metido a piadista. Se você, em vez de homenagear o Grande Dragão com essa cobra, pelo menos expusesse uma réplica do Instrumento do Vida Longa, estaria demonstrando mais bom gosto.

P.: Zé, o que você acha do livro “The Manly Art of Macho Cookery”?

Zé: Americano tem muita dificuldade em captar o conceito de Macheza, que eu só não defino como trascendentalmente zen, porque essas histórias de transcendental e zen não passam no Crivo.

Quando americano diz macho, geralmente ele quer dizer machão, aquele cara fedorento, que coça o saco etc., ou machista, o que considera as mulheres com inferiores. Nesse último caso, geralmente é de brincadeirinha, só para provocar as feministas, mas mesmo assim é bobagem. O livro mistura esses conceitos todos.

Mas gostei de algumas receitas, como a Bruschetta de cebola caramelizada e queijo azul, principalmente porque o sujeito escreveu errado (Bruscetta, que se pronunciaria bruxeta; mas ou menos o inverso daquela história do Tommaso Buscetta). Achei sugestiva a do Salmão, a Outra Carne Rosada. Mas a Torta de Sorvete para Bundões, nada a ver...

P.: Zé, é verdade que no seu tempo os Machos eram como nesse vídeo do Apache do Tommy Seebach?

Zé: Hmmm, o tecladista não passa no Crivo. Está felizinho demais. Macho, quando está por cima da carne seca, ou, melhor ainda, da carne fresca, considera isso como nada mais do que o estado natural das coisas. Portanto, exibe, no máximo, uma expressão de discreta condescendência.

Além disso, pelo que me consta, esse é um vídeo viral, de uma família que mixa a vídeo do cara felizinho com um monte de áudios de outras músicas. Certamente existem nerds Machos, mas esse é o tipo de brincadeirinha de nerd também felizinho. Passo.

P.: Zé, você tem religião?

Zé: Digamos que sim. O Culto da Macheza Absoluta, da qual sou o Venerável e Infalível Sumo Sacerdote. A modéstia me impede de revelar quem é o Ser Supremo nessa religião.

P.: Zé, você poderia recomendar os melhores filmes "pra macho", ou até mesmo elaborar uma lista dos melhores filmes "machos" de todos os tempos?

Zé: Ver "filmes pra macho" não é Coisa de Macho, e muito menos elaborar uma lista de. Macho não vai ao cinema ver machos, verdadeiros ou pretensos. Como também não vai ao cinema só para ver mulheres, já que essas ele tem na vida real quantas achar cabível.

Conclui-se que o Macho vê os filmes que e quando houver por bem.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pergunte ao Zé – VI

P.: Você é um fake?

Zé: Sou alguém que usa um pseudônimo, como Platão, Calígula, Voltaire, George Sand, Lenin, Trotsky, Stalin, Jango, Sarney, Lula, a maior parte dos atores de cinema. E coloquei na lista uma mulher e pelo menos dois gays, para mostrar que não tenho preconceitos.

P.: O que um Macho deve ouvir, ler, comer e beber?

Zé: O que ele bem entender, e ai de quem fizer piadinha.

P.: Alguma vez um Macho procura outro Macho?

Zé: Nunca. Segundo a Primeira Lei da Machística, Macho repele Macho na razão direta de suas machezas, e na razão inversa do quadrado da distância. Isto é, todo Macho que é Macho cerca-se de um campo de macheza que repele os demais Machos, até que todos atinjam prudente distância que possa ser considerada como configuração de equilíbrio. Mas é errado dizer que o Macho repele os Machos adjacentes, pois Macho nunca deixa outro Macho chegar às adjacências. Se deixou, já não passou no Crivo.

P.: Como é que você reconhece um Macho Absoluto?

Zé: Simples. Olho no espelho.

P.: Mas com que direito você se intitula Macho Absoluto?

Zé:.Simplesmente Sou. Se não fosse assim, não seria Absoluto.

P.: Você não acha que é uma questão muito subjetiva para ser avaliada por um pretenso consultor?

Zé:.Seria, se o consultor não fosse o próprio Macho Absoluto. Aliás, Consultor é um eufemismo de marketing. O termo tecnicamente correto é Árbitro da Macheza.

P.: Você admira quem é macho?

Zé:.Não. Não me admiro, pois admirar a si mesmo não é coisa de Macho. E admirar outros machos, então, é o fim da picada..

P.: Quem manda na casa de um machão? Ele ou a mulher?

Zé: De um machão, eu não sei. Na casa de um Macho, é a mulher quem manda. Óbvio. O Macho não precisa mandar em nada, muito menos na própria casa. As coisas acontecem como ele quer, sem que ele mande.

P.: É verdade que macho tem que dar pelo menos uma vez pra ter certeza?

Zé:.Não vá me dizer que você caiu nessa.

P.:Você é a favor das feministas?

Zé:.Sou a favor de todas as mulheres. Por que haveria de discriminar as feministas?

P.: Como alguém consegue ser agraciado com os louros da Macheza.

Zé: Impossível. Macho é agraciado com louras, jamais com louros.

P.: Qual é o político brasileiro mais macho?

Zé:.Até prova em contrário, desconfio da macheza de políticos, de maneira geral. Essas histórias de fazerem corpo a corpo, viverem se abraçando, beijando bebês que nem são netos deles... Não sei não. E não acredito na teoria do Maluf: No Brasil, todo mundo que faz sucesso é corno, gay ou ladrão. Ainda bem que dizem que sou ladrão. Ora, todo mundo sabe que essas coisas não mutuamente excludentes. Vide o caso de certo ex-presidente.

P.: Macho pode usar coisas metrossexuais como brinco, camiseta rosa, tiara?

Zé:.Como o Macho não presta muita atenção no que veste, pode ser que eventualmente vista roupas de qualquer cor, inclusive rosa. Agora, usar brinco é ação afirmativa. E na direção oposta. Eu não usaria, no mínimo, pelo incômodo. Não sei bem o que você chama de tiara, mas se era a espécie de coroa usada pelos reis persas, eles não eram propriamente um paradigma de Macheza.

domingo, 6 de setembro de 2009

Pergunte ao Zé – V


P.: Como ganha a vida um Consultor de Macheza?

Zé: Como qualquer consultor: vendendo informação e orientação a quem precisa.

P.: Quem procura um Consultor de Macheza?

Zé: Quem tem dúvidas de qualquer natureza. Não sobre como ser macho, pois aí já não adianta, mas sobre como se comportar à altura. Por exemplo, vê que o operário da foto está precisando de aconselhamento.

P.: Como diferenciar um comportamento de macho de outro que não é de macho?

Zé: Se fosse fácil distinguir Machos de Não-machos, não haveria necessidades de Consultores de Macheza. Para ser Macho stricto sensu, é necessário ser homem e hétero, mas está longe de ser suficiente. Como em toda área tecnicamente consolidada, é preciso comparar os pretensos atributos do candidato a Macho com um Macho Referencial, dotado de Macheza Absoluta. Sobre quem seria este, a modéstia recomenda que eu me abstenha de manifestar. E só os Consultores de Macheza podem comparar machos, pois, como já disse, o fazem em caráter estritamente científico e profissional, como os urologistas.

P.: Zé, quantos Machos são necessários para trocar uma lâmpada?

Zé: Nenhum. Macho não tem medo de escuro.

P.: Tipo Chuck Norris? O escuro é que tem medo do macho?

Zé: Não. Chuck Norris não passa no Crivo. Muito espalhafatoso. Sinal de insegurança.

P.: Propaganda eleitoral é coisa de macho?

Zé: Não. Macho escolhe um candidato, vota nele e não enche o saco dos outros. Pois, se o outro for uma mulher, é falta de cavalheirismo. Se for um homem e for outro macho, pode dar briga, e, macho ou não, com homem o Macho não quer encompridar conversa.

P.: O que o Zé acha do metrossexualismo?

Zé: Conversa atravessada. Fica parecendo que o sujeito nem é macho o suficiente para assumir que é gay.

P.: Peraí, Zé. “Macho o suficiente pra assumir que é gay” soou muito não-macho!

Zé: Simples. Existe a macheza relativa. Por exemplo, um gay assumido é mais macho que um enrustido. Relativamente, é claro; nenhum dos dois no Crivo do Zé. E Macho Absolutamente Absoluto, só o Zé.

P.: O que acha da música Macho Man, do Village People?

Zé: Dançar essa música não é coisa de Macho. Aliás, dançar música nenhuma, como bem demonstrou o personagem de Kevin Kline, em Será que ele é?. O Macho deve ser capaz de ouvir impassivelmente a música mais rebolativa, sem sentir a menor comichão de rebolar também. Mesmo que não chegue a rebolar, se sentiu a menor vontade, já era. Não importa que ninguém tenha visto, e que ninguém mais saiba. Você sabe.

E notem que isso é independente da polêmica sobre se os caras do Village People são gays ou não são. Eles querem parecer gays, tanto que adotaram o nome de um bairro de grande população entendida. Mas dizem as más línguas que, na verdade, não são. Problema deles. No Crivo do Zé, não passam.

P.: O Macho é homofóbico, anti-feminista ou reacionário?

Zé: O Macho dá todo apoio aos movimentos feministas e homossexuais. Quanto mais mulheres independentes e liberadas, melhor, pois há mais oferta. Quanto mais gays, melhor, pois há menos demanda. E o Macho detesta reacionários. Quase todos são enrustidos, mas esse nem é o maior problema deles. É serem reaças, mesmo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Pergunte ao Zé – IV

P.: Zé, existe uma comunidade no Orkut onde os sujeitos questionam se determinadas ações deles são Coisa de Macho, ou não. Isso é válido?

Zé: Se os sujeitos têm a mais leve dúvida quanto à própria macheza, já deixaram de ser Machos, pois dúvida não é coisa de Macho, principalmente dúvida sobre a própria macheza. Ter certeza de que se é Macho é condição necessária para sê-lo, embora não suficiente. Se não têm realmente essa dúvida, mas dizem que têm, só de brincadeirinha, mesmo assim também não passam no Crivo, pois Macho não faz brincadeirinhas.

P.: Mas não existem aspectos da Macheza que são tecnicamente complexos?

Zé: Se a dúvida for realmente técnica, deve-se consultar um profissional, ou seja, este que vos fala.

P.: Zé, homem se assusta?

Zé: Depende. Se for Macho, não.

P.: Uai, macho nunca se assusta?

Zé: Em alguns casos, talvez seja aceitável. Por exemplo, até os sete anos.

P.: Então a macheza é um estado natural? O sujeito nasce macho? Não pode desenvolver a macheza?

Zé: Ninguém é Macho nato. Alguns podem desenvolver a Macheza, o que exigirá muita seriedade, atenção aos detalhes e, principalmente, vigilância permanente. Mas muitos, nem adianta tentar.

P.: Mas atenção aos detalhes é Coisa de Macho?

Zé: O Macho presta atenção aos detalhes do próprio comportamento, mas sem parecer que está prestando. Ao comportamento das mulheres, ele presta a atenção suficiente. Ao dos outros homens, machos ou não, nenhuma.

P.: O Vida Longa pergunta se ele, Vida, pode ser considerado Macho.

Zé: Prezado Vida, lamento informar, mas você é apenas macho lato sensu, como os Asmodeus. O macho stricto sensu não se aproxima de outros homens, machos ou não, e você se aproxima muito. Muito mesmo. Mas não fique triste. Você é realmente uma força da natureza, e presta um excelente serviço ecológico. Se não fosse por você, talvez alguns de seus clientes fossem machos, agravando o problema de superpopulação machística, que para mim é mais grave do que o efeito estufa.

P.: Você concorda com a afirmação do Trinador de que todo jogador de futebol é gay?

Zé: Bem, eu não gosto de ficar frente à TV para ver um bando de marmanjos correndo atrás da bola, dando trombadas, subindo um em cima do outro nas comemorações etc. Aliás, qualquer esporte coletivo de marmanjos. Muito greco-romano. Eu só assisto esportes femininos, principalmente voleibol. Aquelas pernas...

Mas não endosso essa generalização, pois generalização não é Coisa de Macho. Partindo de quem partiu, então, é muito suspeita.

P.: E a mordiscada do Roberto Carlos na orelha do Beckham?

Zé: Realmente, não passa no Crivo. E o Beckham gosta de usar as calcinhas de sua Spice Wife e, que, segundo o Ronaldo, tinha a camiseta perfumada, mesmo depois do Brasil x Inglaterra de 2002... E há também aquela foto tipo Brokeback Mountain. Note-se que o Roberto Carlos parece estar segurando a camisa do Cruzeiro.

P.: O Beckham não deve ganhar um desconto por ser inglês?

Zé: Mais ou menos. Inglês já nasce com uma carga de não-macheza terrível. É como se já entrassem no campeonato com muitos pontos perdidos. Dizem que o último inglês macho teria sido Henrique VIII. Talvez. Mas essa história de ficar mandando cortar a cabeça das mulheres também não passa no Crivo.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Pergunte ao Zé – III


O Macho é formado desde a mais tenra idade. Para isso, é indispensável que os pais do futuro Macho esclareçam bem todas as dúvidas com o famoso Árbitro da Macheza.

P.: O Zé aprova sexo anal?

Zé: Sendo com mulher, vale todo. Certos sujeitos, que têm nojo disto ou daquilo, não passam no Crivo.

P.: Macho pode varrer o chão, lavar louça, passar o rodo etc.?

Zé: Macho não tem frescuras. Sendo necessário, ele faz. Principalmente passar o rodo.

P.: O Macho está em extinção?

Zé: A International Union for Conservation of Nature and Natural Resources chegou a propor a inclusão dos machos na lista de espécies ameaçadas. Mas, consultado, rejeitei a idéia. Macho sabe se defender, e, além disso, ninguém ameaça o Macho.

O que ocorre é um fenômeno natural, pelo qual os eco-sistemas se adaptam para preservar o Lebensraum natural do Macho, ou seja, o raio da Campo de Macheza dentro do qual a Primeira Lei da Machística não permite a permanência de outros Machos.

Em certos animais inferiores, a superpopulação de machos faz com que alguns mudem de sexo, restabelecendo-se assim o equilíbrio ecológico. Dada a complexidade anatômica e fisiológica do ser humano, tal solução não é possível, pelo menos de forma natural; ela é substituída, então, pela mudança de orientação sexual. O que leva à Segunda Lei da Machística, que tem certa analogia com a Segunda Lei da Termodinâmica:

Em uma população fechada, a macheza nunca aumenta.

Em outros termos, dada a tendência homotrópica do Universo, o Macho tem que estar sempre atento para não ser arrastado, pautando-se pela aplicação quotidiana dos princípios codificados no Crivo do Zé. O preço da macheza é a eterna vigilância.

P. O que o Zé faz quando um gay estende a mão para cumprimentá-lo?

Zé: Cumprimento. Não sou homófobo, e sei que a homossexualidade não é contagiosa. Mas, se por um absurdo fosse, ninguém mais imunizado do que eu mesmo. Aliás, pela Primeira Lei da Machística, o que é penoso para mim é cumprimentar outro Macho. Só cumprimento mesmo porque sei que ninguém mais atingiu a Macheza Absoluta.

P. Macho come comida japonesa com pauzinho?

Zé: Comida japonesa é bem BRL, e comê-la sem perder a macheza é um desafio do qual poucos se saem bem. BRL é um gíria do tempo do Basileu: bichinha rango leve. Refere-se àqueles rapazes que perguntam ao garçom o que ele tem de ranguim bem levim.

Mas macho consegue comer qualquer coisa bem comida, se quiser. No caso da japonesa, é preciso, literalmente, usar a orientação correta (girar noventa graus). Quanto ao alimento propriamente dito, no mínimo, tem-se que usar muito wasabi. Quanto aos pauzinhos, basta chamá-los de hashi e segurá-los feito lutador de sumo. Não esquecer de fazer os ruídos que, no Japão, demonstram boa apreciação culinária.

Agora, fazer judo, com aquela agarração de homem, acho que aí não tem jeito. Melhor fazer karate, que dá porrada de longe, preservando a Primeira Lei da Machística.

P.: Você concorre com o Vida Longa?

Zé: Não. O negócio dele é um, o meu é outro. Ferramentas razoavelmente similares, utilização diferente.

P.: Não é esquisito que o gato de sua foto ande de rabo levantado?

Zé: Quem não deve, não teme.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Pergunte ao Zé – II

Aqui, o Zé continua respondendo às perguntas dos consulentes. Com isso, espera o nosso guru da Macheza evitar mal-entendidos como os da figura cima, que são evidentes, mesmo para quem não sabe holandês.

P.: Nossa... um macho de verdade é quase mítico... é realmente possível tornar-se um Macho?

Zé: Poucos machos conseguem atingir o estado de Macheza Absoluta, semelhante à Iluminação. Com certeza mesmo, só o Zé (às vezes uso a terceira pessoa para maior ênfase, mas não me confundam com o Vida Longa).

P.: O Macho pega sabonete quando cai?

Zé: Pega, quando ele toma banho sozinho. Se está acompanhado, geralmente a mulher faz questão de apanhar para ele, já pensando no que vai rolar... Obviamente, Macho só toma banho acompanhado se for exclusivamente de mulher(es).

P.: Macho pode ter cabelo comprido?

Zé: Pode, é claro. Afinal, os homens das cavernas tinham. E Macho faz do cabelo o que bem entender.

P.: E brinco? Piratas tinham...

Zé: Hmm... piratas eram uma espécie de marinheiros. E marinheiros, como se sabe, têm aquela barrica...

P.: Cabelo grande pode, mas o Macho pode prendê-lo em um rabo?

Zé: Quanto ao rabo, alguns defendem, alegando que é prático. Mas não aprovo, pois aí o sujeito tem que ficar ajeitando o rabo, escovando o rabo, mexendo no rabo...

P.: Macho que é macho toma cerveja Caracu?

Zé: Sem problemas, já que é forte e amarga. Já a parceria Caracu, ele dispensa.

P.: Macho come ovo?

Zé: Frito, com bastante manteiga, para mostrar que não acredita em colesterol. Já cozido, não, pela mesma razão por que não come banana.

P.: Macho viaja para lugares como o Canadá?

Zé: Canadá, Bagdá, etc., sem problemas, pois ele não tem nada a ver com isso. Se existisse um lugar chamado Machodá, ele não iria.


sábado, 10 de fevereiro de 2007

A Dieta do Macho

Freqüentemente, candidatos a macho preocupados com a forma física e com a evolução abdominal consultam o Zé sobre se existe uma Dieta do Macho. O Zé fica um pouco irritado com esse tipo de perguntas, pois ele garante que a testosterona inerente ao exercício permanente da Macheza é suficiente para garantir a forma física. Além disso, segundo o Zé:

1. Dieta, por si só, já não seria coisa de macho.

2. Macho come o que lhe der da telha (ou quem, desde que do sexo feminino).

3. Colocar esse tipo de regras no papel é facilitar a vida dos falso machos.

Mas existe uma espécie de jurisprudência, compilada a partir da observação do comportamento do Macho Padrão, ou seja, o próprio Zé. Tem-se que observar bem disfarçadamente, pois observar macho não é coisa de macho. Por exemplo:

1. Macho não come coisinhas light, tipo BRL. Não só fica meio estapafúrdia a cena do macho a degustar tais acepipes delicados, mas eles não oferecem a sustança alimentar necessária ao exercício da Macheza.

2. Macho não come doce, com raríssimas exceções. Mesmo sendo capaz de consumir-lhes as calorias sem problemas, o macho não se permite o desfrute de prazeres inocentes, mais apropriados para crianças e damas. As raras exceções são doces de chocolate amargo com bebida alcoólica, a título de sobremesa em ocasiões de grandes festas, pois, afinal, macho sempre tem muito que comemorar.

3. Macho não toma refrigerante, ou mesmo bebidas alcoólicas doces. A bebida mais doce que o macho toma é Campari, mesmo assim reforçado com vodca.

4. Macho não saboreia vegetais de duplo sentido. Ficaria ridículo um macho roendo uma cenoura, à la Pernalonga (que, como se sabe, volta e meia se traveste). Pior se for um nabo japonês (que, por algum estranho motivo, é o maior de todos). E, se o vegetal, for pequenininho, não alivia nada. Para comer um cornichon estilo Davi, por exemplo, a posição da mão é simplesmente ridícula. E, além de tudo, se o macho for visto com um desses vegetais na mão, ainda vão correr boatos.

5. Macho não come carnes pré-moídas, como almôndegas ou quibe, ou excessivamente cozidas, pois macho tem dentes é para mastigar.

6. Macho não toma chá; muito menos, se for de jasmim ou floral. Toma café forte e amargo, pois não se sabe o que é menos macho, se o açúcar ou o adoçante. Mas chimarrão, apesar de amargo e muito quente (o cachorro tem gritar quando se cospe nele), não é aceitável, por motivos óbvios (que não vou detalhar para não criar briga com os gaúchos).

Mas sobrepõe-se a tudo a Meta-regra alimentar:

O Macho que é macho pode, a qualquer momento, suspender temporariamente qualquer das regras, pois Macho faz o que quer e não dá satisfação a ninguém (exceto ao Zé).

Em suma, como já foi dito acima, Macho come de tudo, exceto aquilo que não é comida de Macho. A definição é recursiva, mas o Macho não. Recursividade é auto-felação, e Macho não pratica esse nem qualquer outro tipo de masturbação.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Pergunte ao Zé – I

Muitas pessoas têm dificuldade em entender o que realmente é um Macho. Confusões com os conceitos de Machão e Machista são freqüentes. Para ajudar o público a não confundir alhos com bugalhos e coisas ainda piores, o Zé se dispôs a ajudar os xenoetólogos a compilar um guia prático, na forma de perguntas e respostas.

P.: Zé, é fácil ser macho?

Zé: Se fosse fácil ser Macho, não haveria tão poucos Machos, tanta gente querendo ser, e eu não seria um Árbitro da Macheza. Mas, para mim, é muito fácil. Faço Macheza como Mozart fazia Música.

P.: Zé, saldo conta?

Zé: Não. Se tomou um único gol contra, na vida toda, então é. Aliás, se passa pela cabeça de um homem essa dúvida, é porque já era.

P.: Eu estava vendo ontem a lista de conferencistas de um congresso de informática, e havia um da empresa Macho y Asociados. Será um discípulo do Zé?

Zé: Não. Macho não tem associados. Se ainda fosse Macho y Subordinados...

P.: Por falar em Informática, essa área tem muitos gays.

Zé: Tem. O que é uma boa notícia: é a presença de tantos gays que garante a existência de espaço vital para os machos, aplicando-se a Primeira Lei da Machística. A diversidade de orientações é essencial para evitar a superpopulação de machos, que resultaria em destruição da macheza.

P.: Existem imitadores de machos?

Zé: Sim. Mas só os que passam no Crivo são legítimos, e só esses entrarão.

P.: Entrarão onde?

Zé: Entrarão, ponto.

P.: Você pode dar um exemplo de falsos machos?

Zé: Um caso conhecido é o notório Carlos Massaranduba. Esse cidadão, como se sabe, tenta competir com o Zé pontificando sobre critérios de macheza, mas seu currículo apresenta vários furos (!) comprometedores. A começar, pela união estável que mantinha com o Montanha. Depois, os hábitos de comer tigelinhas de açaí, aquela coisa viscosa, roxinha e doce, e de malhar em academias de saradões.

P.: Então, macho não malha?

Zé: Macho não precisa de malhação nem de dietas especiais; o nível natural de testosterona e o exercício quotidiano da macheza são suficientes para garantir-lhe a boa forma física. E o Massaranduba ainda tinha aquela história de ficar andando por aí com o feroz Saddam, claro sinal de insegurança, incompatível com a verdadeira macheza.

P.: Macho não anda com cães ferozes?

Zé: Macho não só não precisa de passear com pit-bulls, como é impossível segurar uma corda de cachorro sem que a mão adote posição comprometedora. Levar um molosso para fazer número um e número dois, então, é de um ridículo atroz. E se o cachorro for manso, desses que andam soltos, pentelhando os outros, tipo poodle, é pior ainda.

P.: O Zé passa no crivo do Zé?

Zé: Isso é a mesma coisa que perguntar se a velocidade da luz no vácuo é mesmo de 299.792.458 m/s, ou se a a temperatura do ponto triplo da água é de 273,16°K. Essas grandezas têm esses valores pela própria definição, respectivamente, do metro e do grau Kelvin, que fazem parte do Sistema Internacional de Unidades, regulamentado pelo Bureau International des Poids et Mesures (pronunciar corretamente, mas sem fazer boquinha de francês). Esse mesmo Sistema reconhece o Zé como referência padrão de macheza, não sendo o Crivo mais que um instrumento prático de aferição.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

O Crivo do Zé

Tratarei hoje de uma questão, para alguns de extrema importância, para outros nem tanto, do que vem a ser um comportamento de macho.

No meu círculo de antigos colegas de faculdade, firmou-se como o paradigma desse campo o chamado crivo do Zé. Esse nosso colega, o Zé, faz questão de desempenhar o papel de machão, com uma distinção e um aprumo que, de longe, transcendem o gênero cafajeste, mas sem deixar dúvidas quanto à absoluta firmeza de convicções. Graças a tal fortaleza de propósitos, o Zé tornou-se, dentro de nosso círculo, o árbitro da macheza, tal qual Petrônio, que pontificava em Roma como árbitro da elegância.

Daí o conceito do crivo: uma peneira fina, ou filtro, que só permite passar material acima de determinado padrão de qualidade; ou seja, passar no crivo do Zé significa atender aos critérios de macheza estipulados pelo Zé. Aliás, no início, o Zé não gostava muito do termo; crivo é um objeto cheio de orifícios, o que foi suficiente para despertar a desconfiança do Zé. Mas tranqüilizou-se quando ponderamos que, se é um bom crivo, os orifícios são extremamente apertados, e só permitem a passagem em uma direção. O Zé por enquanto aceita a explicação, ressalvando-se o direito de melhor juízo posterior. Posterior não, futuro.

Ora, dirão alguns: Essa preocupação toda...ê...sei não...

Realmente, eis aí um ponto espinhoso da teoria machística, que pode ser formulado como o Primeiro Paradoxo da Macheza:

Falar sobre machos não é coisa de macho.

Evita-se a recursividade insolúvel abrindo-se uma exceção para quem toca no assunto ou nele penetra por razões profissionais e científicas. Mais ou menos como fazem os urologistas.

Enveredando pelos aspectos científicos, o Zé formulou a Primeira Lei da Machística:

Macho repele macho na razão direta de suas machezas, e na razão inversa do quadrado da distância.

Isto é, todo macho que é macho cerca-se de um campo de macheza que repele os demais machos, até que todos atinjam prudente distância que possa ser considerada como configuração de equilíbrio.

Mas é errado dizer que o macho repele os machos adjacentes, pois macho nunca deixa outra macho chegar às adjacências. Se deixou, já não passou no Crivo.

A Primeira Lei da Machística foi aplicada pelo Zé quando, certa vez, lhe propus a seguinte provocação:

-- José, considere o caso dos Enviados de Asmodeu (vide A Grande Fênix: basileu.hereweb.com). Nessa corporação guerreira, todo mundo anda como macho, fala como macho, malha como macho, enfim, exala testosterona pura: entretanto, gostam de outros machos (segundo eles, exatamente porque são machos demais para gostar de mulher). Como é que fica? Eles passam no Crivo?

Sabiamente, o Zé enunciou a Primeira Lei, para em seguida chegar a seu corolário, o Segundo Paradoxo da Macheza:

Onde todo mundo é macho, ninguém é macho.

Por isso é que, ao contrário de certo outro estado, aqui em Minas metade é macho e metade é fêmea, e todo mundo achando bão.

Em sua persona orkutiana, o Zé adotou como avatar a figura do gato acima. Naturalmente, logo apareceram os engraçadinhos com piadinhas sobre o rabo levantado do gato etc. O Zé esclarece: trata-se apenas de uma alegoria, pois ele, como bom Macho, detesta animais de estimação. O ponto importante da figura é que o gato não só desfila diante de cem cachorros, como ainda pisa no xixi deles, para mostrar que marcação de território, para o macho, é a mesma coisa que merda nenhuma.