domingo, 12 de julho de 2009

Sexo ao redor do mundo - I

Um em cada 25 britânicos cria filho bastardo sem saber

Segundo a BBCBrasil, uma pesquisa da Universidade John Moores, de Liverpool, estimou que um entre cada 25 pais britânicos está criando um filho que não é seu sem saber. A pesquisa foi possível por causa dos 20 mil testes anuais de DNA que vêm sendo realizados na Grã-Bretanha, para determinar a paternidade das crianças.

Após analisar os dados disponíveis, o estudo chegou à conclusão que, em média, 4% dos pais britânicos estão criando filhos que não são seus. Entre as possíveis razões, estariam o aumento da gravidez em adolescentes, a infidelidade e pessoas que têm abertamente mais de um parceiro; ; o próprio aumento dos testes estaria revelando uma realidade pouco conhecida.

O motivo inicial da pesquisa foi que alguns papais ingleses começaram a reclamar que os filhotes não abriam os olhos. Aí os cientistas perceberam que os vizinhos eram orientais...

Mas, é como dizia Shakespeare:

He that ears my land spares my team, and gives me leave to in the crop: if I be his cuckold, he's my drudge: he that comforts my wife is the cherisher of my flesh and blood; he that cherishes my flesh and blood loves my flesh and blood; he that loves my flesh and blood is my friend; ergo, he that kisses my wife is my friend.

Esse trecho de Shakespeare é da comédia All’s well that ends well (Tudo fica bem quando acaba bem). Usa alguns termos arcaicos, e para reproduzir-lhe o sabor, talvez fosse preciso traduzi-lo para um português barroco. Mas arrisco uma tradução aproximada:

Quem semeia minha terra poupa meus animais, e me deixa a colheita; se eu sou corno dele, ele é meu serviçal; aquele que conforta minha mulher gosta de minha carne e meu sangue; aquele que gosta de minha carne e meu sangue ama minha carne e meu sangue; aquele que ama minha carne e meu sangue é meu amigo; portanto, aquele que beija minha mulher é meu amigo.

Quem sabe uma dupla goiana não põe uma musiquinha, e temos aí um Hino do Corno? Nota-se também nessa fala, além da mansidão cornífera, uma certa insinuação para o lado do Ricardão, que é consistente com outra fama dos ingleses... Apesar de pintado por Hollywood como um ladies’ man, o velho Will tinha reputação de ter outras tendências... Não é à toa que os melhores sonetos do Bardo são dedicados a um tal de Mr. W.H.!

Por falar nisso, uma leitora lembra que o rei Ricardo Coração de Leão, o mais famoso dos Ricardos ingleses, tinha fala semelhante. A leitora especula, dada a tradição de macheza bárbara de celtas e saxões, se tais preferências não resultariam da colonização romana.

Talvez. O fato é que a República Romana era bastante homofóbica, e uma acusação de homossexualidade podia arruinar a carreira de um político. Com o Império, as coisas começaram a mudar. Inicialmente, aos poucos. No caso de Júlio César e Otaviano Augusto, por exemplo, esse lado não era assumido; havia maledicências de inimigos políticos sobre os dois, inclusive sobre os dois. Houve grandes escândalos envolvendo alguns imperadores mais degenerados, como Tibério, notório pedófilo, ou Nero, que mandou transformar em mulher um soldado, para se casar com ele. Mas, quando o grande e sábio Adriano reinstituiu os costumes gregos e erigiu por todo o Império estátuas de seu adorado Antínoo, aí liberou geral. Como essa transição romana coincidiu com os tempos da ocupação da Bretanha, é possível que tenha influenciado o modo de ser dos ingleses.

Mas isso não quer dizer que celtas e saxões fossem imunes ao chamado amor entre iguais, apenas por serem bárbaros ferozes, sujos e suarentos, ou pelo menos assim pintados pelos romanos. Afinal, é puro preconceito achar que todo gay é efeminado. Alguns são muito machos, como os Enviados de Asmodeu, e como é fama de certo estado do sul brasileiro. Ricardo Coração de Leão tinha esse apelido exatamente pela coragem e bravura. Aliás, ele é um dos líderes de quem os Enviados sentem mais saudade.

Pensem naquele monte de guerreiros belicosos, há muito tempo longe de casa, com testosterona a mil. Quando conquistavam algum território, havia as mulheres do inimigo para estuprar; mas, e nos intervalos, como é que ficava?

Tanto é assim, que o auge da glória céltica foi a corte do rei Artur, em Camelot. Embora geralmente considerados assunto de lenda, minhas fontes nos Enviados me informam que, segundo a tradição deles, os Cavaleiros da Távola Redonda eram da Companhia. E que o triângulo Artur-Guinevere-Lancelot era fechado em todos os lados. Mais ou menos o que parece propor o personagem de Shakespeare...

Portugueses assam o maior pão com lingüiça do mundo

Meu prezado Manuel Rui Pontes me manda esta contribuição que, segundo ele, não chega a ser propriamente um comportamento sexual inusitado, mas tem alguma relação.

Uma equipe de seis padeiros de Viseu entrou neste domingo no Guinness Book of Records, ao fazer um pão com lingüiça de quase um quilômetro de comprimento e cerca de oito toneladas de peso. A façanha teve momentos emocionantes, pois numa das manhãs os padeiros ficaram sem energia elétrica, e tiveram problemas com o molinete que ajudava a levantar o pão, quando este já estava com 600 metros.

Mas, ao fim e ao cabo, o pão permaneceu inteiro, e a produtividade atingiu 12 e 13 metros de pão por hora. Segundo a fiscal que representava o Guinness, it was very good.

Para mim, a parte mais sexual dessa história é o very good da senhora do Guinness. Posso até visualizar a expressão facial bem britânica. Se essa história for filmada, sugiro Helen Mirren para o papel. Tem tudo a ver com a personagem dela em O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante.

Ainda sobre os costumes sexuais em Portugal, uma leitura pergunta se a tradição do bacalhau tem alguma conotação sexual. Talvez relacionada com uma suposta impopularidade das práticas depilatórias, que também teria a ver com aquela história do casalzinho virgem, lá no interior lusitano. Diz-se que, pela manhã, ao ver a noivinha levantar os braços e espreguiçar, o noivinho exclamou: Ai Jesus! Mais duas!

Sobre bacalhaus e capilosidades, Manuel Rui Pontes comenta o seguinte:

Portugal não difere do resto da Europa na apreciação do faisandé. Onde crês que os franceses se inspiram (talvez literalmente) para os queijos deles?

Quanto a tua historieta, talvez ainda possa passar-se em um algum recanto de Trás-os-Montes ou do Alentejo. Mas cá em Lisboa há muito se adota a moda depilatória axilar, inventada em 1915 pela indústria americana de lâminas de barbear. Mesmo as conas andam a ser desmatadas, por influência brasileira. Não me refiro à Amazônia, é claro, mas aos fatos de banho cavados.


domingo, 5 de julho de 2009

Vacas ferozes e poluentes

Vacas ferozes e poluentes

Vacas e macacos atacam galinhas!

Nas proximidades de Calcutá, na Índia, um criador de galinhas, intrigado com a constante diminuição do número de aves, resolveu montar guarda para apanhar os ladrões. Para grande surpresa, descobriu que uma vaca estava devorando as penosas. A vaca virou sensação local, e, imagino eu, nenhuma represália sofreu, sendo sagrada.

Os veterinários atribuíram o caso a alguma deficiência de minerais na alimentação. Como as vacas urbanas, na Índia, se alimentam de restos de comida (que, diz-se lá, elas aprendem a pedir de porta em porta), é possível que os habitantes locais estivessem sendo pouco generosos com a coitada. O que não seria de surpreender, em vista da pobreza da região.

O caso é parecido com os dos micos da Mata Atlântica, que, segundo me disse um veterinário, atacam galinheiros quando estão com falta de proteínas. Dá para se imaginar que foi assim que os humanos se tornaram carnívoros, e o resto é conseqüência: era preciso caçar, e, portanto, organizar-se em bandos com papéis definidos, fazer ferramentas, planejar, decidir...

Um contato da Grande Fênix me disse que esse é o fundamento teórico do Grande Dragão: a Humanidade evolui através da violência, da caça, da guerra. E conjeturou se, na guerra vigente entre as duas Ordens, eles não estão manipulando geneticamente outros animais para que se tornem carnívoros, especialmente ornitófagos (comedores de aves). Como se sabe, a Grande Fênix é perita em genética, e conjetura-se que o Grande Dragão seja ainda mais avançado.

O que deixa uma outra dúvida: se foi a manipulação genética do Grande Dragão que transformou os humanos em carnívoros, eles já existiam antes da Humanidade?

Luftal para vacas combate efeito estufa

Segundo o cientista Winfried Dochner, da Universidade de Hohenheim, na Alemanha, os arrotos bovinos produzem 4% das emissões de metano da Terra. Ocorre que esse gás é pior que o dióxido de carbono, para produzir o efeito estufa, e o consumo de carne e, conseqüentemente, o rebanho, estão aumentando.

Para combater as indesejáveis emissões, o cientista inventou uma pílula de tamanho apropriado para bovinos: um punho fechado. Apropriadamente, deu-lhe o nome de Bolus. Esse bolo contém micróbios que retardam a digestão, ao mesmo tempo que metabolizam o metano para produzir glicose. Segundo o cientista, isso não tornaria a vaca mais doce, mas aumentaria a produção de leite. Ganhariam, portanto, tanto o fazendeiro quanto o planeta, e mesmo o animal, que teria digestão mais saudável e melhor qualidade de vida, como quem adota um regime de refeições pequenas e freqüentes.

Meu amigo Manuel Rui Pontes, do alto de sua sapiência de engenheiro de sistemas, comentou: Tenho cá comigo que, dado o valor calórico do metano, seria mais útil uma invenção que aproveitasse o poder energético desse gás. Inclusive o que sai do outro lado, que também é muito. Estou a trabalhar no problema. O difícil é conceber um dispositivo que deixe sólidos passarem, mas retenha gases.

domingo, 28 de junho de 2009

Formigas céticas, aranhas ciumentas e ratos sábios

Formigas ferozes versus monges pacifistas

No templo budista de Ang Hock Si, na Malásia, os monges e seus fiéis costumam meditar sob uma figueira sagrada. Entretanto, apareceu uma praga de formigas na figueira, e eles costumam cair sobre os devotos, e as picadas são dolorosas. Os monges são capazes de ignorar a dor por meio de um tipo especial de meditação, mas, segundo diz notícia da BBC Brasil, em consideração aos devotos menos avançados no caminho da luz, os monges estão procurando formas de persuadir as formigas a ir embora. Bem, isto depois de tentarem um aspirador de pó, que não deu certo.

Os monges são proibidos de fazerem mal às formigas, ou encorajar alguém a fazê-lo, mas, dizem que, se alguém aparecer espontaneamente e lidar com elas sem o envolvimento deles, esta terá sido a vontade do universo.

Como se vê, bobos eles não são. Como diria filosoficamente o Zé Mineirim, num caso desses: uai, se alguém dé um jeito nas bichinha, fazê o quê, né, sô?

Aranha macho põe “cinto de castidade” na fêmea

Os machos da aranha-vespa (Argiope bruennichi) já correm riscos demais no amor, como acontece com os colegas de outras espécies aracnídeas. Sendo muito menores do que as fêmeas, costumam ser devorados logo após os finalmentes, fazendo as vezes de sobremesa. Para piorar, as fêmeas são promíscuas, e se houver outro macho disponível por perto, logo traçam esse também, em ambos os sentidos. Naturalmente, isso reduz a chance de cada macho de deixar descendência.

Mas não para o aranho-vespo. Simplesmente, na hora de tirar, ele deixa a pontinha do dito cujo lá dentro. De certa forma, é o simétrico daquela história de só a cabecinha. Com isso, se não conseguir fugir em tempo, pelo menos a descendência está garantida, já que a pontinha funciona como um cinto, ou melhor, uma rolha de castidade: outros machos não conseguirão depois depositar seu esperma. O tampão não atrapalha a postura de ovos, pois a fêmea tem portas separadas para a entrada e a saída. No final das contas, o macho fica meio castrado, mas pelo menos tem a garantia de que será um feliz pai.

Isso é que é medo de ser corno. Deixar um pedaço lá dentro, só para ter certeza de que os filhotes não vão sair com a cara do vizinho!

Ratos sabem da própria ignorância

Só sei que nada sei, disse Sócrates, demonstrada a capacidade dele para o que os cientistas chamam de meta-cognição, e muitos consideram como traço essencial da consciência humana. Bem, talvez não tão essencial; segundo Bertrand Russell, apenas os inteligentes são cheios de dúvidas, enquanto os imbecis são cheios de certezas.

Mas um estudo de Jonathon Crystal e Allison Foote, da Universidade da Geórgia, mostra que os ratos parecem estar no time dos inteligentes. Eles tinham que classificar sons emitidos pelos pesquisadores como “curtos” ou “longos’. Nos acertos, ganhavam uma porção de comida, e nos erros nada ganhavam; e podiam também desistir, em cujo caso ganhavam meia porção. Alguns sons de duração média eram difíceis de classificar e, nesses casos, desistir era uma estratégia mais segura. O estudo mostrou que, com o tempo, os ratos aprendiam sobre a própria capacidade de classificar, e só arriscavam quando sabiam que tinham alta chance de acerto.

Muita gente pode aprender alguma coisa com eles.

sábado, 20 de junho de 2009

Ciência confirma a importância da fofoca

Coisa, de resto, assaz conhecida em bairros, cidades do interior, empresas, escolas, famílias e outras organizações. Mas é a conclusão de um estudo do biólogo Ralf D. Sommerfeld, que analisa uma aplicação prática da Teoria dos Jogos. Mais de uma centena de voluntários participou de uma série de jogos. Os jogadores atuavam em duplas, tendo, em cada jogada, a opção de cooperar com o parceiro ou traí-lo. As regras eram tais que um jogador ganharia se traísse, mas não se o parceiro contasse com a possível traição. Portanto, era preferível construir a reputação de ser confiável.

Segundo o pesquisador, em notícia publicada no Estadão:

Em uma situação natural é improvável que possamos observar todas as pessoas com quem interagimos todo o tempo. É particularmente impossível 'ter estado observando' pessoas com quem só vamos interagir no futuro. Antropólogos e biólogos evolucionários supunham que essa informação (que não vem da observação) é adquirida por meio da fofoca.

Segundo o pesquisador, o novo estudo confirma a hipótese de que a fofoca transmite informação, e que essa informação é levada a sério. Só não se esperava que fosse levada tão a sério.

Em uma das rodadas do jogo, os participantes receberam relatórios com todas as jogadas anteriores feitas pelos colegas - quantas traições e quantas cooperações - além de uma fofoca artificial, que podia ser tanto positiva quanto negativa. A expectativa dos cientistas era de que, tendo o relatório para se basear, os jogadores ignorariam a fofoca na hora de decidir como interagir com o colega.

A suposição se mostrou falsa: 44% dos participantes do jogo mudaram de decisão ao tomar conhecimento da fofoca. Desses, 79% (ou 35% do total) decidiram cooperar sob a influência de fofoca positiva ou trair na presença de fofoca negativa. Com o nível de cooperação médio do jogo na ausência de fofoca em 62%, a presença de fofoca positiva elevou a taxa a 75%. Já a de fofoca negativa reduziu-a a 50%.

Fofoca tem um forte potencial para manipulação, que pode ser usado por trapaceiros para mudar a reputação de terceiros ou a própria, conclui o estudo.

A Teoria dos Jogos, que foi a base do experimento, ganhou o Nobel de Economia de 2007, com o trabalho de Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson. A mesma Teoria já tinha dado o Nobel a John Nash, retratado no filme Uma Mente Brilhante.

A conclusão é confirmada por artigo do psicólogo social Frank T. McAndrew, em artigo no número de outubro de 2008 da Scientific American Mind (resumo aqui). Segundo ele, fofoca é um fenômeno mais complicado e socialmente importante do que pensávamos. É um subproduto da psicologia que evoluiu nos tempos pré-históricos para permitir que nossos ancestrais sobrevivessem e prosperassem em suas comunidades.

Segundo .McAndrew, a fofoca tem vários aspectos positivos: a confiança no parceiro de fofoca, a ligação causada pela partilha de segredos, o aprendizado de regras sociais e culturais não escritas, a lembrança de importância de regras e valores sociais, o desencorajamento de comportamentos contrários às normas estabelecidas, e, talvez o principal, ser o meio mais direto de se comparar socialmente com os outros.

O autor argumenta que a fofoca faz parte de nossa identidade, e parte essencial do funcionamento dos grupos, e deveria ser vista como uma proficiência social, e não como um defeito de caráter. Mas, diz ele, há que se fofocar na medida certa: fofoque demais, e será visto como não confiável; de menos, e se isolará socialmente. O bom fofoqueiro seria aquele que partilha informação importante, mas sem parecer que está agindo no interesse próprio, e sabendo calar a boca na hora apropriada. E, finalmente, a fofoca seria um lubrificante importante das conversas do dia a dia.

Bem, eu devo ser meio esquisito, pois acho que estranho mesmo é considerarem-se positivas todas essas coisas. E as conclusões da pesquisa parecem uma confirmação do valor prático do cinismo...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Peixes cornos, gatos congelados e cães boa-vida


Dúvida quanto a paternidade leva peixe ao canibalismo

Peixes machos têm maior probabilidade de devorar os descendentes quando a paternidade é duvidosa, diz estudo publicado no periódico American Naturalist. Eles fecundam espalhando o esperma na água, e o artigo mostra que, quanto maior o número de machos presentes nesse momento, maior a chance de que um deles tente comer os ovos postos pelas fêmeas, já que é menos provável que ele seja o responsável pela fertilização.

Esse comportamento era previsto em teoria, mas ainda não havia sido confirmado. O estudo foi realizado com o peixe Telmatherina sarasinorum, encontrado em um lago da Indonésia. Os pesquisadores determinaram que as fêmeas, que podem ter certeza da origem dos ovos, nunca apelam para o canibalismo.

Eis a explicação evolucionária da origem do cornus ferox. E confirma a sabedoria rabínica, segundo a qual o judeu nato tem que ser filho de mãe judia. Pai não vale, porque nunca se tem certeza.

A propósito, o Manuel Rui Pontes conta que, um dia, o colega alentejano lá da malta da Alfama contou essa história ao vizinho chinês, e ouviu deste um estranho pedido. Imaginem, ó gajos, que o chinês me implorou que não devorasse meu filho mais novo. Ora pois, por que haveria de fazer tal barbaridade? Principalmente com o pobre pequerrucho, que nasceu de olhinhos meio fechados.

Americano processa polícia por apreensão de gatos congelados

Um sujeito do Tennessee está brigando na Justiça porque a polícia tomou 114 gatos e um cachorro que ele mantinha congelados no freezer. Diz ele que as congeladas tinham "valor emocional", e que pretendia enterrá-los num cemitério de animais que estava construindo. Alega também que um dos gatos congelados era muito grande, sendo candidato ao livro dos recordes, e que está sofrendo muito. A indenização pedida é superior a um milhão de dólares.

O inusitado não é propriamente dos animais, e sim do dono. Mas um Confrade de Csífodas (em linguagem usual, um capitalista) que eu conheço já percebeu a grande oportunidade de negócios. Vai lançar a Cryopet, na forma de grandes cemitérios-freezers para entes animais queridos.

Cerveja e pão para cães

Terrie Berenden, dona de uma pet shop na cidade holandesa de Zelhem, criou uma cerveja para seus cães weimaraner, feita de extrato de carne vermelha e malte. A cerveja Kwispelbier lançada no com o slogan “uma cerveja para o seu melhor amigo”. Kwispel é a palavra holandesa para balançar a cauda. A cerveja é quatro vezes mais cara que as marcas européias mais populares.

"Uma vez ao ano, vamos para a Áustria caçar com nossos cães, e ao final do dia, vamos para a varanda tomar cerveja. Então pensamos, meu cachorro fez por merecer", disse ela.

Enquanto isso, Foi aberta na Alemanha a primeira padaria de luxo exclusiva para cães, com uma ampla linha de biscoitos caninos e bolos de carne caseiros.A padaria The Dog's Goodies foi aberta na cidade de Wiesbaden, próxima a Frankfurt. A chef canina Janine Saraniti-Lagerin oferece a seus clientes caninos bolinhos mentolados, barras de cereais, tortas de atum e biscoitos de alho.

Donos de cães vêm de longe para experimentar as guloseimas. Clientes a caminho do Aeroporto Internacional de Frankfurt costumam parar na padaria para levar um presente especial para seus cães. Os cães que visitam a loja têm direito a sessões de degustação por conta da casa.

Ah, essa vida de cachorro...

sábado, 14 de março de 2009

O método xenoetológico

O método xenoetológico

O que é o Inusitado?

Estou abrindo este tópico para discutir o método da ciência xenoetológica, considerando que ele apresenta variações sutis, porém importantes, em relação ao método científico standard. Vou começar pela importante questão levantada por uma consulta de uma leitora:

Olá... estive estudando comportamentos humanos e fiquei com uma grande dúvida e acredito que o Sr. possa tirar minhas dúvidas... Comportamentos inusitados, seriam comportamentos não comuns...não usuais? Porém um comportamento que para mim pode ser comum, para o outro pode ser inusitado... Poderia ser visto,em sua concepção, por este ângulo? Por Exemplo... na atualidade não é muito comum as crianças de classe média e classe média alta brincarem de Cabra-cega, porém,conheço algumas famílias dessa classes, que ainda acreditam que o computador não é a melhor diversão para seus filhos e sim, o resgate das brincadeiras, onde podiam se tocar, olhar olho no olho, dialogar cara a cara... Essa família estaria tendo um comportamento inusitado diante da sociedade atual? Ou seria outra coisa? Mais uma vez agradeço sua colaboração. Abraços.

Prezada, se um grupo suficientemente grande de pessoas considerar esse comportamento como inusitado, passa a sê-lo, certamente. Vale o Princípio da Relatividade do Inusitado, um dos pilares da xenoetologia: o inusitado de uns é o normal de outros. Por exemplo, no campo gastronômico, a grande maioria dos brasileiros considera extremamente inusitado comer carne crua, peixe cru, caracóis ou queijo mofado. Só uma minoria considera normal degustar carpaccio, sashimi, escargots e roquefort.

Relatividade do Inusitado

Outro exemplo da Relatividade do Inusitado, que descrevo em mais detalhes em A Grande Fênix, narra uma cena passada em uma sauna nos Alpes austríacos. Nessa região, como geralmente ocorre na Áustria e na Alemanha, as saunas são mistas e sem roupa, todo mundo na maior desinibição. Roupa de banho é considerada como algo anti-higiênico; por aí vocês vêem. Mas o ponto alto é a cerimônia da efusão de vapor, comandada por alguma autoridade, quando disponível:

Em certas horas, a efusão é feita de forma mais tradicional. Escolhe-se para realizá-la um homem mais velho e de posição. Por exemplo, quando apareceu um cavalheiro respeitosamente cumprimentado como Herr Burgermeister, logo foi convidado a comandar a efusão. Soado o alarme, o prefeito despejou a água de cheiro anisado com uma jarra, e em seguida ficou a girar uma toalha vermelha, para fazer o vapor circular. Vê-se aqui um dos princípios básicos da xenoetologia, que é a Relatividade do Inusitado. Imagine o leitor o prefeito de sua cidade, pelado, girando uma toalha vermelha, e quarenta a cinqüenta pessoas em volta, igualmente nuas, aplaudindo e emitindo grunhidos de aprovação.

O Inusitado Absoluto

Segundo a Xenoetologia Clássica, ele não existe: para que algo seja considerado inusitado, é preciso que um grupo significativo de observadores assim o considere. É claro que existe a discussão prática sobre quantos observadores são necessários para caracterizar um Inusitado, mas esse problema pode ser resolvido com técnicas estatísticas convencionais. Assim, tal como nas pesquisas eleitorais, o tamanho do grupo de observadores poderia ser dimensionado em função da margem de erro desejada.

Na esteira da Física Moderna, surgiu a escola de Xenoetologia Relativística. Tal como na Física, longe de afirmar que tudo é relativo, a escola sustenta que existe um Inusitado Absoluto, que é o próprio Universo. Realmente, a Física Moderna é cheia de proposições contrárias ao senso comum, como a independência da velocidade da luz no vácuo em relação ao observador, as dualidades matéria-energia e onda-partícula, os buracos negros e horizontes de eventos, a superposição de estados e o gato de Schrödinger... Isso para não falar dos táquions, da matéria e energia escuras, das singularidades nuas e do Princípio da Censura Cósmica, do emaranhamento quântico e da ação fantasmagórica à distância... Alguns propõem, inclusive, que todo este corpo de conhecimento (e desconhecimento) seja denominado de Xenofísica.

Alguns teólogos católicos se consideram vingados, pois os mistérios da Xenofísica são tão anti-intuitivos quanto velhas proposições teológicas, que geraram muitos cismas, guerras e perseguições a hereges, como a Trindade, o Diofisitismo e a Transubstanciação. Mas termina aí a semelhança, pois os teólogos se baseiam em Escrituras, ou em determinada interpretação delas, enquanto a Física Moderna se baseia em dados empíricos, e está plenamente disposta a abandonar qualquer de suas teses a partir do momento em que seja refutada pela experiência...

O Fim da Censura Cósmica?


Isso posto, ao ler o último número da Scientific American que me chegou às mãos, sou surpreendido por um artigo que especula sobre o fim do Princípio da Censura Cósmica. Formulado pelo eminente físico e matemático Sir Roger Penrose (um ídolo da Vovó Quântica, que alega ter entendido tu-di-nho que ele escreveu, o princípio afirma:

Não existem Singularidades Nuas.

Singularidades são pontos em que a matéria é infinitamente comprimida, esmagada até a dimensão... de um ponto. Os casos conhecidos até então, além da singularidade que deu origem ao Universo, no Big-bang, são as singularidades existentes no interior dos buracos negros, que surgem do colapso gravitacional de grandes estrelas, muito maiores do que o Sol. Essas singularidades são pudicamente escondidas do restante do Universo pelos horizontes de eventos, barreiras gravitacionais tão poderosas que nem a luz as pode ultrapassar.

Sendo os buracos negros singularidades vestidas, pode-se formular o Teorema Careca (no-hair theorem), segundo o qual Buracos negros não tem cabelos (eu não disse que o próprio Universo é o Inusitado Absoluto?). Físicos às vezes gostam de ser engraçadinhos, quero dizer, usar metáforas, e o que isso significa é que dos buracos negros só três grandezas são observáveis externamente: massa, carga elétrica e momento angular (rotação, em suma). Todos os demais detalhes (os cabelos) são escondidos pelo horizonte de eventos.

E, dizem os físicos, isso é bom, porque numa singularidade todas as leis da Física se desintegram, e podem acontecer coisas mágicas, como, por exemplo, regurgitarem gosma verde ou meias perdidas (mais metáforas de físicos). Mas, graças ao Princípio da Censura Cósmica, tais imoralidades estariam escondidas pelos horizontes de eventos, impedindo que contaminem o restante do Universo com mágica. Continuando assim o Universo tranqüila e serenamente determinístico.

A novidade é que foram descobertos, pelo menos em teoria, modos de colapso estelar que podem levar à formação, não de buracos negros, mas de singularidades nuas, com todas as indecências expostas. Físicos estão agora ávidos por observar a nudez das ditas singularidades, o que se espera conseguir por meio de observatórios espaciais ultra-sensíveis, planejados para os próximos anos. Olhando pelo lado positivo, espera-se ver pela primeira vez diretamente coisas interessantíssimas, como... a gravidade quântica em plena ação.

O referido artigo da SciAm está on-line:

http://www.sciam.com/article.cfm?id=naked-singularities

Outros artigos:

http://www.astronomyreport.com/research/Seeking_Objects_Wierder_Than_Black_Holes.asp

http://www.sciencedaily.com/releases/2007/09/070924151118.htm

domingo, 25 de janeiro de 2009

A xenoetologia dos animais

Esta linha de tópicos será dedicada à discussão de fenômenos xenoetológicos entre nossos amigos do reino animal. Entretanto, inusitados relativos a nazistas, hackers e outros retro-mutantes não serão tratados aqui.

Passarinhos têm noção de necessidade futura

Alguns pássaros reconhecem a noção de futuro e fazem planos para o amanhã, descobriram pesquisadores da Universidade de Cambridge. De acordo com o estudo, publicado na revista Nature, um tipo de pássaro azul, o Aphelocoma californica, acumula alimentos, caso acredite que faltará comida no futuro. A notícia completa está aqui.

Nessa linha de estudos, espera-se que em breve a Ciência confirme o ditado popular: Passarinho que come pedra sabe...

Australiano bêbado captura tubarão com as mãos nuas

Um australiano capturou com as mãos um tubarão de 1,3m e conquistou fama de herói. O pescador Philip Kerkhof atribuiu o mérito à vodka que tinha bebido antes. Quando viu o tubarão nadando em águas rasas, Kerkhof atacou o animal, que estava roubando as iscas dele.

Esse fez mais vantagem que o Jaws, vilão do James Bond, que matou um tubarão a dentadas, pois não usou nenhuma prótese. Depois dizem que certas coisas de bêbado não têm dono. Vá se engraçar com um bêbado desses, para ver o que acontece. Aliás, parece que foi o que aconteceu com esse tubarão, pois ele chegou a arrancar um pedaço das calças do pescador, que assim explicou sua técnica: Fiquei por trás dele e, no fim, fui tentar dar a agarrada.

Preguiça de bicho preguiça frustra cientistas alemães

O Instituto de Zoologia Sistemática e Biologia Evolucionária da Universidade de Jena, na Alemanha, pretendiam que uma preguiça chamada Mats subisse um mastro, como parte de sabe-se lá qual experimento. Mas debalde esperaram, tentando todos os quitutes como incentivo, de quilos de pepinos ao melhor espaguete caseiro. Finalmente, concluíram que Mats não estava interessado no progresso da ciência, e o enviaram para um zoológico, onde agora pode dedicar-se placidamente a fazer o que as preguiças melhor fazem: porra nenhuma.

Para mim, foi uma demonstração de firmeza em uma filosofia de vida. As opiniões de meus colaboradores variam.

O eminente especialista em sistemas Manuel Rui Pontes comentou: Segundo um alentejano lá da malta, o mais feliz com o fim do experimento foi um sobrinho dele, que lá trabalhava como estagiário. Ter que ficar três anos a prestar atenção à preguiça, comer sandes, usar uma sanita portátil e sem tomar banho, até que não foi tão ruim. O pior mesmo foi não poder pregar olho durante três anos, atento aos mínimos movimentos da preguiça, que afinal não os houve! Cá de minha parte, achei essa conclusão sobre o interesse das preguiças no progresso da Ciência algo similar à do patrício que andou a cortar patas de aranhas para testar-lhes o mecanismo de audição.

Já o notório Zé do Crivo, na qualidade de Supremo Árbitro da Macheza, objetou: É evidente que se trata de um bicho-preguiça macho, e muito macho. Cá entre nós: você subiria em um mastro, e ainda por cima a troco de ganhar pepinos?

Nascem os filhotes de dragão de Comodo virgem



Cientistas britânicos, em artigo na Nature, anunciaram que Flora, um dragão de Comodo fêmea que nunca se acasalou ou mesmo conviveu com um macho, tornou-se mãe e pai de cinco filhotes. Foi a primeira vez que se observou o processo conhecido como partenogênese (nascimento virgem) em uma fêmea de dragão de Comodo, os maiores lagartos do mundo.

Em típica manifestação de humor britânico, disse um dos cientistas: Quando o primeiro dos bebês saiu do ovo, não sabíamos se deveríamos dar uma xícara de chá para Flora ou dividir com ela um charuto.

Outro sinal de atividades portentosas do Grande Dragão, segundo seus rivais da Grande Fênix. Este caso seria particularmente preocupante, pois nascimentos de mãe virgem costumam assinalar grandes momentos da história das religiões. Será algum desses bebês-dragão a Anti-Fênix? Ou todas elas, já que o Inimigo sempre trabalha com a redundância?

Os que acompanham novelas da Globo também terão percebido que o nome da dragoa em questão é bem sugestivo.

Nascem os filhotes de dragão de Comodo virgem

Mozart, um iguana residente em um aquário belga, teve seu pênis amputado, após uma semana de ereção permanente, pois corria risco de infecção. Tratamentos com pomadas e cataplasmas não adiantaram. That’s the bad news.

The good news is: Mozart não se importou muito, pois, como acontece com cobras e lagartos em geral, tinha dois pênis. Aliás, o que provocou o priapismo de Mozart foi exatamente a fúria sexual do dito, que em pouquíssimo tempo engravidou seu harém formado pelas fêmeas Truus, Pepina, Bianca e Johnny (Epa! Qual é a desta?).

No capítulo inicial de Os Cães e a Fênix (De Amores, Gansos e Marrecos), mostro como a hipersexualidade entre aves é tida pela Ordem da Grande Fênix como um dos sinais mais seguros de que a Fênix passou pela região, e genes seus estão presentes nas aves taradas. Do mesmo modo, a hipersexualidade entre répteis é tida como indício dos seres venerados pela Sociedade do Grande Dragão, ferozes inimigos da Grande Fênix. Parece ser o caso desse iguana, que ainda por cima recebeu o irônico nome de Mozart. Note-se também a presença de redundância na forma de um duplo pênis, comum entre cobras e lagartos, e característico do design dos Inimigos.

Voltando ao Mozart, infelizmente, as últimas notícias que tenho não propriamente de um final feliz. O agora amputado lagarto (peneta, seria o termo?) continua querendo fornicar, mas as quatro pouco compreensivas fêmeas aparentemente perderam o interesse nele. Exigentes, essas moças.