domingo, 28 de dezembro de 2008

Tragédia eqüestre

Um homem de 40 anos morreu ao ser sodomizado por um cavalo em um sítio freqüentado por zoófilos, em Enumclaw, não longe de Seattle, Estado de Washington. “Do médico legista ao comissário, passando pelos investigadores, ninguém jamais viu algo remotamente parecido com isto”, disse o chefe da Polícia. A vítima sofreu graves lesões internas e seu corpo foi deixado por desconhecidos em um hospital de Seattle. As investigações revelaram que o sítio era especializado em zoofilia e oferecia cavalos, pôneis, cabras, ovelhas e cães, tudo anunciado na Web. Em suma, uma espécie de prostíbulo animal.

O Código Penal do Estado de Washington não considerava ilegal a zoofilia (que eu saiba, nem o brasileiro), mas, depois do incidente, o estado acabou aprovando uma lei que criminaliza tanto as relações sexuais com animais quando a filmagem delas. Sim, porque, conforme se descobriu posteriormente, a vítima fazia parte de um grupo de zoófilos que filmava suas atividades, e esses vídeos, naturalmente, acabavam chegando à Internet.

Segundo uma de minhas fontes na Companhia dos Enviados de Asmodeu, trata-se de um exemplo de hybris. Este conceito, nas tragédias gregas, designa a arrogância de quem quer superar os deuses, e atrai a vingança destes. Essa fonte, que reside em São Francisco, sede mundial daquela notável corporação mercenária, conhecia a vítima do trágico acidente. Diz ele que o pobre coitado (!!!) tinha a fantasia de se tornar mãe de um centauro. Seja como for, o caso ilustra o perigo do enrustimento: a vítima morreu porque demorou a procurar auxílio médico, temeroso de perder um emprego bem remunerado em conhecido fabricante de aviões.

Anteriormente, segundo minha fonte, a vítima tinha tentado se candidatar a uma vaga de guerreiro na Companhia. Ora, como sabem os que já leram A Grande Fênix, os Enviados são uma corporação de mercenários de elite. Para manter o adestramento, eles às vezes adotam procedimentos incômodos ou dolorosos. Por exemplo, corre o rumor de que eles ocasionalmente utilizam certos métodos de asseio corporal adotados em um estado do Sul do Brasil, baseados no uso de ponta de faca. Mas faz também parte do treinamento militar deles uma sólida formação em análise e prevenção de riscos. Assim, logo perceberam que o aspirante que não havia captado bem o espírito da coisa, estando apenas interessado nos aspectos mais masoquistas do treinamento asmodaico.

Posteriormente, um cúmplice foi localizado pela polícia, e se declarou culpado. Admitiu que tinha invadido propriedade privada para ajudar o amigo a perpetrar o ato, manejando uma filmadora com que registrou o evento. Essa parte da invasão de propriedade por entrar num estábulo sem permissão (de quem?) ficou um tanto forçada, mas foi o que resultou do acordo: o amigo foi apenas condenado a um ano de prisão, com suspensão da sentença, a uma multa de US$ 300 e a oito horas de trabalho comunitário. A promotoria desistiu de apresentar acusações de crueldade contra animais, porque o cavalo não se feriu.

E resta o principal mistério: como eles conseguiram convencer o cavalo? Segundo uma sugestão de uma leitora, pode-se ter criado um clima, com um torrãozinho de açúcar, música ambiente (a Cavalgada das Valquírias e outras composições eqüestres), uma dose (cavalar) de uísque White Horse, e uma sessãozinha de cinema com algum filme como O Encantador de Cavalos (Equus não, de jeito nenhum).

E, por falar em filme, a história toda também acabou gerando o filme Zoo, indicado para a premiação no Sundance Festival de 2007. Segundo a sinopse do IMDB: A look at the life of a Seattle man who died as a result of an unusual encounter with a horse.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Evolucionismo é ciência?

Entre os grandes momentos paleodoxos do Orkut, merecem especial a destaque as ponderações de um famoso teólogo, filósofo, sociólogo, jurista e sexólogo, a quem, por respeito à enorme modéstia, chamaremos simplesmente de Homem Santo (título que, aliás, ele usa para si mesmo). Vejam as insuspeitadas conexões do evolucionismo com o socialismo, a cabala, o panteísmo, a maçonaria, o hinduísmo, o nazismo e os cambau:

Antes que Erasmus Darwin tivesse escrito suas noções precursoras de progressivo desenvolvimento biológico, John Locke inferiu a doutrina Hindu da reencarnação para o interior do contexto do naturalismo metafísico e formulou uma teoria da evolução. A Companhia Britânica das Índias Orientais importou a crença Hindu da reencarnação para a Inglaterra onde seria adotada pela Sociedade Real Britânica. Um importante membro da Sociedade Real, John Locke, estudou a reencarnação intensivamente e, trabalhando com a doutrina oculta como uma inferida inspiração, desenvolveu suas próprias idéias evolucionárias. Na realidade, a teoria da evolução de Locke recebeu o apoio dos membros masculinos da família de Darwin. Dois séculos mais tarde, esse conceito oculto de 'transformação' seria transmitido a Charles Darwin na Origem das Espécies que nasceria.

Embora o conceito de 'geração espontânea' tenha sido provado cientificamente como falho anos atrás, muitos continuam a ressuscitar seu cadáver. Por que esse tema de matéria sem vida espontaneamente gerando vida continua a emergir? Ele se deriva do golem, um conceito antigo apresentado na Kabbalah Hebraica. De acordo com Albert Pike, o golem foi um homem artificialmente criado cuja vida foi o resultado de intervenção sobrenatural.

Os membros maçons da Sociedade Real Britânica reintroduziram o golem ao público à guisa de 'naturalismo metafísico.' Gradualmente, as maquinações corporais da natureza suplantaram o milagroso Criador. Obviamente, essas maquinações eram inteligíveis somente para cientistas untados pela autocracia epistemológica.

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O evolucionismo só é tido hoje como "ciência" porque dá sustentação a ideologias como o socialismo, a doutrinas teosóficas como a cabala, o panteísmo e a reencarnação e tudo o mais que interessa ao establishment inculcar na população.

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A tese conspirativa da História é rejeitada pelos liberais, pois é incompatível com sua crença na bondade natural do homem.

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Ciência sem Deus é o mesmo que limonada sem limão.

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A assim chamada teoria da evolução de Darwin é baseada em proposições absurdamente irracionais, que não vieram de observações científicas, mas foram artificialmente introduzidas de fora pra dentro, por razões político-ideológicas

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O organismo (tese) vem a o interior do conflito com a natureza (antítese) resultando em uma mais nova aprimorada espécie (síntese), a culminação do processo evolucionário. Obviamente, em tal mundo de progressivo conflito, a violência e o derramamento de sangue são centrais ao progresso. Desta forma, a teoria de Darwin 'deu crétido (sic) à noção Hegeliana que a cultura humana tinha ascendido de princípios brutais'.

Ainda, as raízes do Darwinismo vão mais profundamente do que Hegelianismo, retornando a uma fonte esotérica que tem estado ali desde o começo. As idéias de Hegel não se originaram dele mesmo, mas de Fichte. Na realidade, a lógica dialética de Hegel reitera o dito maçônico: Ordo Ab Chao (ordem fora do caos). Novamente, parece que o fundamento sobre os quais o Darwinismo repousa é a maçonaria, um canal para interesses elitistas.

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Só a título de exemplo, tomando a evolução das espécies como um fenômeno aceito, processos análogos deveriam ocorrer no mundo natural, tal como uma lei, que teria um efeito erga omnes. Pois bem, se espécies evoluíram, tudo o mais que é natural também evoluiu: o sol evoluiu, a gravidade evoluiu, as pedras evoluiram, os raios evoluiram, as nuvens evoluiram etc etc etc. Mas isso não é tudo. Não se teria noção do próprio conceito de espécie num contexto de evolução, pois se há transformação entre espécies, a espécie é por definição mutável, sendo portanto indefinida. Além disso, onde começou a ser classificado como "espécie"? Quando terminará? Enfim, são coisas básicas, ridículas, que carecem até de fundamentação biológica, pois a biologia ou a paleontologia só entram aí de gaiato para enganar trouxa.

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Um evolucionismo coerente desemboca necessariamente no panteísmo, pois que deve admitir que a matéria sempre existiu, portanto, que ela é eterna, infinita e onipotente. O que significa dar à matéria as qualidades próprias de Deus. Quanto ao ateísmo - inclusive o de Darwin - ele só mascara um panteísmo subjacente. O ateu é um panteísta que não ousa confessar que se crê o próprio Deus.

Se o evolucionismo negar a divindade da matéria universal, necessariamente, então, deverá cair na Gnose, isto é, se não aceitar que a matéria é divina, terá que admitir que, no interior dela, reside, ou melhor, que nela está preso um espírito que, através da evolução, busca libertar-se da prisão da matéria, o que é a substância do pensamento gnóstico.

Entre o Panteísmo e a Gnose, os evolucionistas têm oscilado, mas, em ambos os casos, o evolucionismo cai sempre num problema religioso.

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Se quiserem debater comigo: 1) tem que ter cacife; 2) tem que aprender o significado da palavra RESPEITO.

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Em uma análise do Mein Kampf, nota-se como Darwin foi crucial para as 'noções de biologia, culto, força e luta e de sua rejeição da causalidade moral na história' de Hitler.

Retornando ao nexo Hegeliano que amarra Darwinismo, Marxismo e Nazismo, tanto as fascistas e comunistas 'ditaduras científicas' representavam tangíveis decretos da estrutura dialética residente na teoria evolucionista.

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A mesma estrutura Hegeliana foi residente no interior do nazismo. O povo alemão (tese) estava envolvido em conflito com o Judeu (antítese) na esperança de criar o Ariano (síntese).

domingo, 14 de outubro de 2007

O Critério de Qualificação como Boca Livre

O professor Freiermund formalizou o FLQC- Free Lunch Qualifying Criterion (Critério de Qualificação como Boca Livre), que pode ser usado para analisar eventos especialmente complexos. O formalismo define três parâmetros fundamentais:

PV – Perceived Value (valor percebido): o valor do evento, tal como percebido pelo usuário. Uma estimativa pessimista pode ser feita, tomando-se por base o quanto custaria uma refeição de qualidade equivalente, em um restaurante de padrão compatível com o ambiente do evento. Entretanto, esse valor pode incluir componentes intangíveis, como a suposta transferência de status do patrocinador para o usuário.

PC – Perceived Cost (custo percebido): o custo do evento para o usuário. Normalmente, já que o evento é candidato a Boca Livre, a maioria das parcelas deste custo é intangível: a perda de uma oportunidade de ficar em casa lendo um bom livro ou vendo um bom filme, o incômodo da viagem, os riscos da cidade, o possível encontro com gente chata etc.

ST – Significance Threshold (limiar de significância): valor abaixo do qual o usuário não tem a sensação de estar levando vantagem. Os xenoetólogos brasileiros costumam chamar este parâmetro de limiar de Gérson. Para usuários pouco exigentes, este valor pode ser zero.

Diz então o Critério de Qualificação como Boca Livre:

Um evento se qualifica como Boca Livre se e somente se PV – PC > ST.

Aplicando o formalismo: almoços de mamãe

Um exemplo de aplicação do formalismo responde à pergunta de uma leitora:

O que dizer do almoço de domingo, aquele que normalmente as mães fazem para atrair os filhos? Por que mãe adora usar comida para manter filhos por perto? E por que funciona?

Resposta do Professor Freiermund:

Almoços semanais com a mamãe são uma tradição bem latina; nas culturas anglo-germânicas, as mães se dão por felizes se conseguirem congregar as famílias em umas poucas ocasiões anuais, como o Dia de Ação de Graças, o Natal, a Páscoa ou o Dia das Mães. De qualquer maneira são eventos complexos, com vários parâmetros intangíveis.

Atendendo ao pedido do ilustre Professor, complementei a resposta dele com uma análise formal, baseada no FLQC. É essa análise que exponho a seguir.

ST é normalmente fixo para um dado usuário, e independente do evento. Para avaliar certo evento, portanto, basta estimar PV e PC.

No caso dos almoços de mamãe, a componente tangível de PV não é, normalmente, muito alta, exceto se a mãe em questão for realmente uma perita culinária. Mas existe um componente intangível que depende muito da relação filial. Para filhos com sentimentos de culpa, por exemplo, o evento pode ter um alto valor de feel good.

Já PC é extremamente individual, e cada usuário tem que avaliar o seu. Ele varia, inclusive, com a época, a ocasião e o estado de espírito do usuário. Na realidade, a maioria dos questionamentos, quanto a almoços de mamãe, aniversários e outro eventos candidatos, decorre do grau de incerteza na medição de PC. Os xenoetólogos estudam diversos modelos para medição desse parâmetro, mas trata-se de pesquisa ainda incipiente. Contribuições são bem-vindas.

Discussão

A leitora contesta:

Será o PC realmente mensurável a priori, antes de se participar do evento? Não seria o PC subjetivo, dependendo do saco momentâneo do potencial cliente, mais do que de qualquer outra coisa? Afinal, quando realmente queremos ir a um lugar, fazemos pequenos sacrifícios, mas, quando não, inventamos qualquer desculpa, até das mais absurdas. Seria viável uma espécie de calculadora de saco, com parâmetros como: idade, estado civil, filhos, profissão?...

Componentes intangíveis

A estimativa dos componentes intangíveis de PV e PC é, sem dúvida, bastante difícil. Dentro da sociologia eleuterostomática, a posição mais radical é da escola intuicionista. Ela sustenta que a avaliação intuitiva de PV e PC seria bastante confiável, como corolário do Princípio de Freiermund, e, que portanto, se existe a menor dúvida sobre se um evento se qualifica como Boca Livre, é porque não se qualifica.

Mas a corrente majoritária rejeita essa tese radical, tendo em que vista que ela levaria a desprezar um grande número de eventos candidatos, e que as pessoas raramente sairiam de casa, se fossem levá-la às últimas conseqüências.

Todos os modelos formais até hoje propostos para estimativa dos componentes intangíveis levam a conjuntos de equações não-lineares e, em muitos casos, estocásticas e variantes no tempo. Conforme a Teoria do Caos, isso anula o valor desses modelos como preditores. Parece mais promissora uma abordagem na linha sugerida pela leitora: simuladores heurísticos baseados em questionários como perguntas simples e objetivas. Por exemplo, no caso de almoços de mamãe, contaria pontos positivos a pergunta:

Há parentes que contam piadas novas e realmente engraçadas?

Já pontos negativos seriam atribuídos à pergunta:

Há parentes que perguntam se é pavê ou pacomê?

Os próprios questionários poderiam ser aperfeiçoados por um processo evolutivo, através da comparação dos valores estimados e reais de PV e PC, por meio de entrevistas realizadas a posteriori.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Pergunte ao Zé – IV

P.: Zé, existe uma comunidade no Orkut onde os sujeitos questionam se determinadas ações deles são Coisa de Macho, ou não. Isso é válido?

Zé: Se os sujeitos têm a mais leve dúvida quanto à própria macheza, já deixaram de ser Machos, pois dúvida não é coisa de Macho, principalmente dúvida sobre a própria macheza. Ter certeza de que se é Macho é condição necessária para sê-lo, embora não suficiente. Se não têm realmente essa dúvida, mas dizem que têm, só de brincadeirinha, mesmo assim também não passam no Crivo, pois Macho não faz brincadeirinhas.

P.: Mas não existem aspectos da Macheza que são tecnicamente complexos?

Zé: Se a dúvida for realmente técnica, deve-se consultar um profissional, ou seja, este que vos fala.

P.: Zé, homem se assusta?

Zé: Depende. Se for Macho, não.

P.: Uai, macho nunca se assusta?

Zé: Em alguns casos, talvez seja aceitável. Por exemplo, até os sete anos.

P.: Então a macheza é um estado natural? O sujeito nasce macho? Não pode desenvolver a macheza?

Zé: Ninguém é Macho nato. Alguns podem desenvolver a Macheza, o que exigirá muita seriedade, atenção aos detalhes e, principalmente, vigilância permanente. Mas muitos, nem adianta tentar.

P.: Mas atenção aos detalhes é Coisa de Macho?

Zé: O Macho presta atenção aos detalhes do próprio comportamento, mas sem parecer que está prestando. Ao comportamento das mulheres, ele presta a atenção suficiente. Ao dos outros homens, machos ou não, nenhuma.

P.: O Vida Longa pergunta se ele, Vida, pode ser considerado Macho.

Zé: Prezado Vida, lamento informar, mas você é apenas macho lato sensu, como os Asmodeus. O macho stricto sensu não se aproxima de outros homens, machos ou não, e você se aproxima muito. Muito mesmo. Mas não fique triste. Você é realmente uma força da natureza, e presta um excelente serviço ecológico. Se não fosse por você, talvez alguns de seus clientes fossem machos, agravando o problema de superpopulação machística, que para mim é mais grave do que o efeito estufa.

P.: Você concorda com a afirmação do Trinador de que todo jogador de futebol é gay?

Zé: Bem, eu não gosto de ficar frente à TV para ver um bando de marmanjos correndo atrás da bola, dando trombadas, subindo um em cima do outro nas comemorações etc. Aliás, qualquer esporte coletivo de marmanjos. Muito greco-romano. Eu só assisto esportes femininos, principalmente voleibol. Aquelas pernas...

Mas não endosso essa generalização, pois generalização não é Coisa de Macho. Partindo de quem partiu, então, é muito suspeita.

P.: E a mordiscada do Roberto Carlos na orelha do Beckham?

Zé: Realmente, não passa no Crivo. E o Beckham gosta de usar as calcinhas de sua Spice Wife e, que, segundo o Ronaldo, tinha a camiseta perfumada, mesmo depois do Brasil x Inglaterra de 2002... E há também aquela foto tipo Brokeback Mountain. Note-se que o Roberto Carlos parece estar segurando a camisa do Cruzeiro.

P.: O Beckham não deve ganhar um desconto por ser inglês?

Zé: Mais ou menos. Inglês já nasce com uma carga de não-macheza terrível. É como se já entrassem no campeonato com muitos pontos perdidos. Dizem que o último inglês macho teria sido Henrique VIII. Talvez. Mas essa história de ficar mandando cortar a cabeça das mulheres também não passa no Crivo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Xenoetologia sexual: perguntas e respostas

P.: Por que os cachorros costumam lamber o próprio pênis?

R.: Uma explicação simplista seria: porque eles conseguem.

Mas, do ponto de vista xenoetológico, a auto-felação canina não é considerada um comportamento inusitado, já que é praticada pela maioria dos cachorros, se não todos.

Já o caso humano certamente se enquadra, por ser, ao que tudo indica, praticado por minoria ínfima. Isso vale mesmo na hipótese de que a raridade da prática nos homens se deva a dificuldades técnicas.

Lembro-me de ter lido em algum lugar que isso seria praticado por cerca de 0,3% dos homens, mas não consegui localizar a fonte dessa informação. Não sei também se tal pesquisa se baseou em informação de possíveis praticantes, ou depoimentos de médicos especializados em problemas de coluna vertebral.

Embora sejam em pequeno número, não faltam entusiastas. Destaca-se Gary Griffin, autor de The Art of Auto-fellatio: Oral Sex for One, que pode ser adquirido na Amazon. Diz a resenha editorial:

The ultimate in safe sex -- self-performed oral pleasure at any hour of the day! If you've ever dreamed about this practice, this book can make your fantasy a reality. Packed with photos, advice, stories and training tips by men who know what they're doing!

Forgive the hype: this is also a serious examination of the history (through a variety of reports) and application of self-performed oral sex. It's both a fascinating examination of social perceptions and cultural mores, and a guide to specifics.

Provando que o Inusitado Sexual não conhece limites, é possível encontrar na Web material sobre técnicas ainda mais raras e difíceis, como é o caso da auto-sodomia.

P.: E transportar US$ 100.000,00 na cueca? Pode ser considerado um comportamento sexual inusitado?

O inusitado, no caso, decorre do incômodo. Como não circulam cédulas de mais que US$ 100,00, deduz-se que havia pelo menos mil notas, o que não devia ser nada confortável. Além disso, pouco inteligente, pois deve ter sido exatamente a semelhança com o perfil corporal do então deputado Roberto Jefferson que chamou a atenção dos policiais. Por isso, o crime organizado prefere transportar valores em materiais de maior relação valor/volume do que papel-moeda (diamantes etc.), o que permite formas mais íntimas de transporte.

Quanto a possíveis aspectos sexuais, consultei, como de costume, meus amigos psicanalistas. Como sempre, as opiniões divergiram. Sigismundo, o Alegre, considerou a guarda de dinheiro em tais lugares como resultante de uma fase anal mal resolvida. Já Guilherme, o Rico, pelo contrário, considerou-a como sinal de sexualidade desinibida e profissional, à semelhança das strippers. Embora não goste de polícia, chegou a especular sobre possíveis aplicações policiais de sua máquina de captação de orgônios, as partículas que constituiriam os quanta de energia orgásmica, que ele teoriza seriam realçados pela proximidade do dinheiro.

Como sempre, a explicação mais sensata me pareceu ser a de Carlos Gustavo, o Jovem. Segundo este, a participação do Sexo se dá no plano simbólico: o Sexo provê o local, o Dinheiro o meio, e o Poder o fim, completando mais uma vez a Unidade da Trindade simbólica formada por Príapo, Mamona e Wotan. Naturalmente, minhas fontes na Ordem da Grande Fênix, não gostaram dessa explicação. Eles, na qualidade de cultores do Sexo, não admitem associações sequer simbólicas com a Confraria de Csífodas, idólatra do Dinheiro, ou a Sociedade do Grande Dragão, cuja razão de ser é o Poder.

Já Manuel Rui Pontes opina:

Essa parangona foi debatida em minha tasca na Alfama, onde foi motivo para muita piada. Um da malta comentou que transportar assim tamanho balúrdio devia ser muito incómodo; outro disse que não, desde que se usasse cuecas folgadas; ao que um terceiro retrucou que, nesse caso, não ficaria a guita devidamente segura; portanto, aduziu um quarto, tudo devia estar devidamente amarrado à pila. Um que é do sul do país comentou que lá se chama de pila também ao dinheiro, mas nunca imaginava que no Brasil se juntava assim coisa com coisa, tão literalmente. Concluiu-se, ao fim e ao cabo, que isso foi sarilho de aldrabões pacóvios.

Por outro lado, segundo a opinião técnica de Metódio Prudente:

A questão do transporte íntimo de altas somas tem implicações preocupantes para os usuários da Informática. Microprocessadores avançados têm maior relação valor/volume do que metais preciosos ou drogas, e têm-se especulado sobre a possível utilização deles pelo crime organizado, como meio de transporte de altos valores. Observou-se, inclusive, um aumento significativo do número de roubos de carregamentos de microprocessadores, em escala mundial. Existem problemas com o fator de forma e os pinos, é claro, mas nada que técnicas adequadas de embalagem não possam resolver.

Talvez essa tática já esteja sendo mais usada do que se supõe; isso explicaria certos comportamentos inusitados de nossos computadores.

Como se vê, talvez os microprocessadores tenham tornado os diamantes obsoletos para o transporte íntimo de valores. Mas dizem que estes ainda são, como queria Marilyn Monroe, a girl’s best friend.

P.: Um dia eu estava vendo uma dessas CPIs na televisão. O deputado Roberto Jefferson estava falando de um araponga que dizia que era comandante da Marinha. Uma hora o deputado disse: Se esse aí foi da Marinha, ele nunca saiu da barrica. O que o nobre parlamentar queria dizer? Tem a ver com o teste da farinha?

R.: Referia-se a um tradicional costume dos lobos do mar. O teste da farinha define a ordem de prioridade na barrica.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Tecnicalidades

Os aspectos técnicos da xenoetologia sexual por vezes confundem os leigos. Por exemplo, como classificar o uso de bonecas infláveis? Uma leitora assídua indaga se seria um caso de masturbação, ou seja, monossexualismo? Ou seria tecnossexualismo, pelo emprego de um artefato? Ou, não podendo esse artefato ser realmente classificado como técnico, e sim como um objeto qualquer, um caso de pansexualismo?

Técnicos como meu amigo Metódio Prudente dizem que, seja como for, é indispensável o uso da correta taxonomia. Sem chegar a entrar no mérito das bonecas infláveis, diz o Metódio: Como engenheiro de software, considero extremamente importante o uso da melhor taxonomia possível, para a classificação consistente dos conceitos e o conseqüente bom entendimento dos problemas. Proponho, portanto, a adoção do termo tecnossexual para os que fazem sexo com artefatos técnicos, e do termo cibersexual para os usuários dos recursos virtuais.

Já o outro amigo d’além-mar, Manuel Rui Pontes, que, na qualidade de engenheiro de sistemas é especialista em generalidades, aduz:

Apoio tua ênfase na importância da taxonomia, ó Metódio, e venho propor-te um problema taxonómico. Estava outro dia com os camaradas em uma tasca da Alfama, a petiscar uns caracóis, tomar uns finos e discutir lérias. Depois de umas quantas, perguntou alguém o seguinte:

-Se um gajo fizer sexo com seu próprio clone, estará a dar ao hidráulico, ou será paneleiro?

Ora pois, não é preciso ser biólogo para saber que masturbação não é, e que, sendo o clone do mesmo sexo, certamente tal proceder se caracteriza como gay. Mas veio-me outra dúvida: será, no caso, um gay incestuoso? Quer-me parecer que o conceito de incesto não é preciso o suficiente para dirimir a importante questão.

Lembro-me de uma história do Robert Heinlein em que o personagem Lazarus Long manda fazer clones dele mesmo. Melhor, DUAS clones, pois os cromossomos Y são trocados por cromossomos X do próprio Lazarus, para que saiam duas meninas; o objetivo de Lazarus é ver como é que ele seria se fosse mulher, sem ter que virar transgênero. Mal as garotas atingem a puberdade, querem transar com o Lazarus. Este resiste, alegando que é incesto (a idade das meninas ele não considera problema). Elas finalmente o convencem de que seria apenas uma espécie de masturbação. Como você vê, a dúvida da turma do Manuel não é de todo despropositada.

Ao ser publicada no Orkut a observação do Manuel, levantou-se um assunto que, por vias indiretas, tem a ver tanto como tecnologia quanto sexualidade. É sabido que a moda da depilação axilar feminina foi inventada apenas em 1915, pela indústria americana de lâminas de barbear, com isso dobrando seu mercado consumidor. Daí o barbear feminino espalhou-se para as pernas e, nas últimas décadas, a lugares mais recônditos, que passaram do conceito de Mata Atlântica ao de Bigodinho de Hitler, e até a soluções ainda mais radicais. Não faltou aí a contribuição da tecnologia tupiniquim, conhecida como Brazilian Wax lá na matriz, onde segundo dizem, tornou-se em certas cidades (das quais Dallas é a mais citada) um presente tradicional para debutantes. Bem, quanto às conotações sexuais, as opiniões são extremamente divergentes.

Na ocasião, a Leitora Assídua lembrou a conhecida piadinha do Ai Jesus, mais duas!!!, que trata de uma hipotética relutância das lusitanas na adoção dessa tecnologia. Sobre isso, comentou o Manuel:

Quanto a tua historieta, talvez ainda possa passar-se em um algum recanto de Trás-os-Montes ou do Alentejo. Mas cá em Lisboa há muito se adopta entre as raparigas a moda depilatória axilar. Mesmo as conas andam a ser desarborizadas, por influência brasileira. Não me refiro à Amazónia, é claro, mas aos fatos de banho cavados.

domingo, 15 de julho de 2007

O teste da mulher infiel

Um contribuinte anônimo me enviou o seguinte inusitado sexual bíblico, que aparece em Números, 5. Trata-se de um teste para uso de maridos que suspeitam esteja a senhora do seu lar costurando para fora:

Se uma mulher desviar-se de seu marido e lhe for infiel, 13. dormindo com outro homem, e isso se passar às ocultas de seu marido, se essa mulher se tiver manchado em segredo, de modo que não haja testemunhas contra ela e ela não tenha sido surpreendida em flagrante delito; 14. se o marido, tomado de um espírito de ciúmes, se abrasar de ciúmes por causa de sua mulher que se manchou, ou se ele for tomado de um espírito de ciúmes contra sua mulher que não se tiver manchado, 15. esse homem conduzirá sua mulher à presença do sacerdote e fará por ela a sua oferta: um décimo de efá de farinha de cevada; não derramará óleo sobre a oferta nem porá sobre ela incenso, porque é uma oblação de ciúme feita em recordação de uma iniqüidade. 16. O sacerdote mandará a mulher aproximar-se do altar e a fará estar de pé diante do Senhor. 17. Tomará água santa num vaso de barro e, pegando um pouco de pó do pavimento do tabernáculo, o lançará na água. 18. Estando a mulher de pé diante do Senhor, o sacerdote lhe descobrirá a cabeça e porá em suas mãos a oblação de recordação, a oblação de ciúme. O sacerdote terá na mão as águas amargas que trazem a maldição. 19. E esconjurará a mulher nestes termos: se nenhum homem dormiu contigo, e tu não te manchaste abandonando o leito de teu marido, não te façam mal estas águas que trazem maldição. 20. Mas se tu te apartaste de teu marido e te manchaste, dormindo com outro homem... 21. O sacerdote fará então que a mulher preste o juramento de imprecação, dizendo: o Senhor te faça um objeto de maldição e de execração no meio de teu povo; faça emagrecer os teus flancos e inchar o teu ventre. 22. E estas águas, que trazem maldição, penetrem em tuas entranhas para te fazer inchar o ventre e emagrecer os flancos! Ao que a mulher responderá: Amém! Amém! 23. O sacerdote escreverá essas imprecações num rolo e as apagará em seguida com as águas amargas. 24. E fará com que a mulher beba as águas amargas que trazem maldição, e essas águas de maldição penetrarão nela com sua amargura. 25. O sacerdote tomará das mãos da mulher a oblação de ciúme, agitá-la-á diante do Senhor e a aproximará do altar; 26. tomará um punhado dessa oblação como memorial e o queimará sobre o altar; depois disso dará de beber à mulher as águas amargas. 27. Depois que ela as tiver bebido, se estiver de fato manchada, tendo sido infiel ao seu marido, as águas que trazem maldição trar-lhe-ão sua amargura: seu ventre inchará, seus flancos emagrecerão, e essa mulher será uma maldição no meio de seu povo. 28. Mas, se ela não se tiver manchado, e for pura, ela será preservada e terá filhos. 29. Tal é a lei sobre o ciúme quando uma mulher se desviar de seu marido e se manchar, 30. ou quando o espírito de ciúme se apoderar de seu marido, de modo que ele se torne ciumento de sua mulher; ele a levará diante do Senhor e o sacerdote lhe aplicará integralmente essa lei. 31. O marido ficará sem culpa, mas a mulher pagará a pena da sua iniqüidade.

Portanto, se alguém estiver sentindo coceira na testa, mãos à obra. E vê-se por aí que mandingas desse gênero não são exclusividade de cultos de origem africana, mas estão consagradas no Livro fundamental das religiões monoteístas...