segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Província do Cabo Ocidental - II

Os safáris

Os safáris oferecidos aos turistas na África do Sul, atualmente, não são mais aquelas expedições de caça que a gente via em filmes, mas safáris ambientalmente corretos, onde os animais são apenas fotografados. Aliás, nem esses filmes de caça existem mais. No máximo, tal como acontece no Brasil, alguns países africanos permitem a caça de animais sem predadores, como elefantes e crocodilos, em certas épocas em que o excesso de população deles pode, por sua vez, também causar problemas ambientais.

Não me animei a ir ao Parque Krüger, a maior e mais famosa reserva animal da África do Sul, pois fica a 450 km de Joanesburgo, e opção de ir de aviãozinho é caríssima. Assim, as visitas foram apenas a duas reservas particulares, uma próxima da Cidade do Cabo, e outra já na Rota dos Jardins.

No primeiro e menor, os turistas são logo avisados de que é preciso prestar muita atenção para ver certos animais, pois em um dia ensolarada a tendência de muitos é de ficarem escondidos dentro da vegetação. Por isso, a guia pedia que os turistas avisassem quando vissem algo suspeito, mesmo que parecesse uma pedra, pois podia ser um rinoceronte. Até hoje não se isso aí embaixo é um rinoceronte.

Já o fantasma aí embaixo é um leão. A guia explica que esses são leões enlatados, ou seja, leões criados em uma área restrita para serem mortos por um imbecil qualquer que pague uma fortuna para brincar de caçador. Como a atividade é ilegal, eles são confiscados pelo governo, quando descobertos, e entregues a quem se disponha a cuidar deles, sob algumas condições.

Eles têm que ser mantidos em áreas separadas, pois não sabem caçar, e se arriscam a ser mortos por animais grandes, como rinocerontes, búfalos ou mesmo um gnu mais atrevido. E devem ser vasectomizados, pois também não saberiam ensinar os filhotes a caçarem, perpetuando a linhagem de leões degenerados. De qualquer maneira, a guia avisa que ninguém deve descer do veículo nem bater na lataria chamando kitty! kitty!, pois esses leões associam humanos com comida. Não que tenham o hábito de comer gente, mas esperam receber comida de qualquer humano como recebem dos tratadores, e podem causar problemas se ficarem decepcionados.

Sem ter que temer os leões, as zebras proliferam e se mostram à vontade.

Quem também não faz questão nenhuma de se esconder (e ainda bem, porque não teria como) são as girafas, que passam tranquilamente bem na frente do micro-ônibus aberto que leva os turistas.

Já os leopardos tratam de aproveitar a camuflagem natural.

O segundo safári foi na reserva de Botlierskop, nome que significa rolha de garrafa, por causa de rochas como da foto.

Esse parque fica na Rota dos Jardins, perto da cidade histórica de Mossel Bay, que pode ser vista dos pontos mais altos do parque, como na foto abaixo. O parque tem também uma game lodge, ou seja, um hotel bem confortável que finge ser um acampamento de caça. Não fiquei nesse, mas sim em outro da Roda dos Jardins, do qual tratarei depois.

Os animais mais numerosos no parque são as diversas espécies de antílopes, como as mostradas abaixo. Não é à toa que as carnes de caça (legais) mais comuns em muitos restaurantes é o bife de algum antílope.

Um parente próximo é o gnu, lá chamado mais comumente de wildebeest, nome africâner que significa fera, como se pode desconfiar pela semelhança com wild beast. O gnu individual não é lá tão feroz, mas pode matar um leão mais incompetente, e é bom lembrar que o Rei Leão Pai morreu massacrado por um estouro de gnus.

Aqui também havia leões enlatados: o macho e as duas fêmeas das fotos abaixo, não tão tímidos quanto os do outro parque. Dizem os guias que esses animais são tão preguiçosos que os tratadores só dão comida do lado da área deles oposto ao lugar onde bebem água, para que sejam obrigados a se exercitar. Como conseguem se empanturrar o suficiente para vários dias, esse é o tempo que leva para se disporem a ir até o refeitório.

Por coincidência, poucos dias depois da volta vi um documentário que desmente em parte essa teoria da preguiça dos leões. Segundo o documentário, eles não são preguiçosos, mas sim espertos: guardam toda a energia para a explosão do momento da caça. Se você for preguiçoso, eis uma bela desculpa.

E, para finalizar, os elefantes. Costuma-se contrastar a ferocidade dos elefantes africanos com a mansidão dos indianos, mas esses não pareciam ferozes. Pelo menos, o ônibus dos turistas ficava à espera deles, e eles é que vinham se mostrar, obedecendo às ordens de um tratador. Pelo menos, ao contrário dos indianos, não faziam gracinha alguma.

A Rota dos Jardins

A Rota dos Jardins é um roteiro turístico que, na versão que fiz, começava na Cidade do Cabo, seguir para leste pelo interior até a cidade de Oudtshoorn, descia para o mar até Knysna, voltando à Cidade do Cabo pela costa. No caminho de ida, além da cidade de Calitzdorp, já mencionada na parte sobre os vinhedos, passa-se pelas Cavernas de Cango.

Nas cavernas, fiz o roteiro da Standard tour, que percorre de maneira fácil os enormes salões da caverna, alguns dos quais enormes e de acústica tão boa que eram usados para concertos. Eram, até que acabaram com eles por causa da dificuldade de vigiar os vândalos que gostam de levar pontas de estalactites (dá para ver que algumas da foto acima têm pontas quebradas). Existe também uma Adventure tour, com passagens de apenas 30 cm de altura, nas quais os turistas têm que rastejar. Dizem as guias que já houve o caso de uma senhoras bem nutrida que ficou agarrada, e teve que esperar horas até que os bombeiros conseguissem resgatá-la. Ela e os infelizes dos colegas de excursão que ela arrolhou num salão sem outra saída.

A primeira noite foi passada perto de Oudtshoorn, na Buffelsdrift Game Lodge. O nome significa “deriva do búfalo” (como em buffalo drift). O hotel oferece safáris, mas não fiz desse. Apenas vi os hipopótamos, que ficam numa lagoa em frente aos alojamentos.

Esquecemos de tirar fotos de lá, mas duas fotos do sítio do hotel tão bem idéia do estilo falso rústico. Os apartamentos são tendas de verdade e, por fora, parecem de fato um acampamento.

Por dentro, entretanto, não são diferentes de um hotel bem confortável, de no mínimo quatro estrelas. Apenas as paredes são de pano; o mobiliário é muito bom, e a foto abaixo mostra o banheiro.

Quem quiser ficar no quentinho, toma banho na banheira. Mas quem quiser um pouco mais de “aventura”, vai até o chuveiro que fica dentro do cercadinho de bambu, lá fora. Não deixei passar a oportunidade de tomar um chuveiro sob as estrelas, apesar da noite bem fria; basta sair de roupão, deixar sair água muita e bem quente, e só tirar o roupão na hora de entrar no chuveiro. Na hora de sair, a pele está quente o suficiente para agüentar o minuto que se leva para enxugar e colocar o roupão.

0 comentários: