domingo, 6 de junho de 2010

Cidade do Cabo - II

O porto

A vista do balneário do hotel dava para o tradicional porto da cidade, conhecido como Victoria & Alfred Waterfront, ou simplesmente V & A. O Alfred em questão é o segundo filho da Rainha Vitória, que iniciou a construção do porto em 1860. Segundo o folclore local, tido sido enviado pela Rainha a Cape Town para “afastá-lo das más influências em Londres”, mas lá encontrou ainda mais esbórnia do que na capital do Império.

Navios ainda aportam aqui, mas misturam-se com uma marina de luxo e com um distrito de compras e diversão, meio na linha do Puerto Madero de Buenos Aires ou do St. Katherine’s Píer de Londres, mas provavelmente maior. Além de algumas centenas de lojas e muitos restaurantes e bares, contém construções históricas, como a Torre do Relógio, à esquerda da foto.

A ponte mostrada acima é uma ponte rotatória, que, em lugar de se levantar para deixar os barcos passarem pelo canal, gira em torno de um eixo, como mostram as fotos seguintes.

A montanha

Sobe-se ao topo da Montanha Mesa, a cerca de mil metros de altura, por um bondinho que sai de um ponto na encosta. Nunca fui ao Pão de Açúcar pelo friozinho que esse tipo de transporte me dá, mas, depois passar por lugares como Bariloche, Innsbrück e Kitzbühel, onde sem bondinho não se fazem alguns dos melhores programas do lugar, aprendi a relaxar mais com essas coisas. E esse, pelo menos, não tem chão transparente, apenas gira enquanto sobe para todo mundo poder apreciar tudo.

A alternativa é subir a pé. As trilhas até que não são de dar muita adrenalina, mas é um esforço que eu não estaria disposto a encarar. Principalmente porque os ônibus de excursão deixam o turista já na estação do bondinho. Mas quem vai de carro particular, em fins de semana, como era o caso do dia em que fui, tem que estacionar no final de uma longa fila de carros, bem abaixo da estação, e já tem que andar a pé boa parte do caminho.

Como dito anteriormente, o centro da cidade fica na bacia em frente à estação do bondinho, e outras regiões da cidade podem ser vistas de outros ângulos. Selecionei as fotos abaixo como vistas mais interessantes. A primeira mostra outro pico do conjunto montanhoso, e a segunda mostra um canto do parque que há em cima da Mesa. Na terceira, mais uma combinação de montanha, mar e cidade.

Na foto abaixo, um bichinho que eles chamam de “coelho da montanha”. A foto seguinte, embora meio fora de foco, permite entender por que senti o tal friozinho pelo bichinho.

Na encosta da montanha fica também o Jardim Botânico de Kirstenbosch, tido como um dos melhores do mundo. Uma das atrações é a estrelícia ou ave do paraíso (Strelitzia reginae), uma espécie de flor nacional da África do Sul, onde é chamada de crane flower (flor do grou). Mas a atração do Jardim é a rara variedade amarela Mandela’s Gold, que faz parte, é claro, de uma das muitas homenagens ao próprio que podem ser encontradas em todo o país.

A pequena fonte abaixo é conhecida como Colonel Bird’s Bath, construída em 1811, segundo se diz, por ordem de um Coronel Christopher Bird, Subsecretário da Colônia, em forma de pássaro, aludindo ao nome dele. Outros, entretanto, chamam-na de Lady Anne Barnard’s Bath; segundo dizem, seria a esposa do Coronel, que teria o hábito de tomar nua no Castelo da Boa Esperança (uma antiga fortaleza, localizada na área verde que aparece no centro da foto da cidade mostrada antes); e que, também segundo as más línguas, faria o mesmo, em piqueniques em companhia do amante, na dita fonte.

Fazer piqueniques no local, aliás, é um hábito que os moradores da cidade conservam. Afinal, este pedaço da África do Sul é como se fosse uma Inglaterra com tempo bom.

Outro ponto alto do Jardim Botânico são as cicadófitas, plantas gimnospermas, tal como as coníferas, consideradas como “fósseis vivos” porque pouco mudaram desde a época Jurássica. , Por serem muito demandadas como plantas de jardim e terem alto valor, são consideradas como em perigo de extinção no ambiente natural, e só podem ser exportadas com permissão especial.

Na estufa do Jardim Botânico, uma atração é a Lithops, ou pedra viva. A plantinha suculenta, semelhante a seixos, é natural de regiões mais ao norte, como a vizinha Namíbia, pois gosta de climas mais quentes.

Uma curiosidade do Jardim Botânico de Kirstenbosch é que ele tem um jardim e uma trilha especiais para cegos! O jardim é formado por plantas que se destacam pelo aroma ou textura das folhas. A trilha tem uma corda que serve de guia, com nós que indicam que ao lá há placas em Braille com informação sobre o local.

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